Paulo Guedes projeta crescimento de 5% ao ano por década com ajuste fiscal no Brasil
Guedes: Brasil pode crescer 5% ao ano por década com ajuste fiscal

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes apresentou uma projeção otimista para o crescimento do Brasil durante participação no evento Advance, promovido pela Farmi Capital em São Paulo. Segundo sua avaliação, o país poderia ter alcançado uma expansão de até 5% ao ano por uma década completa caso mantivesse as contas públicas em ordem e seguisse com políticas de ajuste fiscal.

Contexto econômico de 2022 e oportunidades perdidas

Guedes destacou que, no final do governo Bolsonaro, o Brasil superava os impactos da pandemia de covid-19 com indicadores positivos. O país registrou um superávit primário de 54 bilhões de reais em 2022, equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto, marcando o primeiro resultado positivo em oito anos. A maioria dos governos estaduais também apresentava contas no azul, enquanto as estatais acumulavam um superávit impressionante de 180 bilhões de reais.

"Se ganhássemos a eleição, o Banco Central teria que baixar os juros de 2 a 2,5 pontos percentuais por reunião", afirmou Guedes durante sua apresentação. Ele argumentou que a reeleição de Jair Bolsonaro teria derrubado as expectativas de inflação para próximo de 3%, obrigando o BC a acelerar os cortes da taxa Selic.

Projeção de crescimento estrutural

Nas contas do ex-ministro, o Brasil herdaria de 2022 um crescimento estrutural do PIB ao redor de 3% para 2023. Com os cortes de juros que ele projetava, seria possível adicionar mais 2% de crescimento, totalizando os 5% anuais que poderiam se sustentar por dez anos consecutivos.

"Com isso, o Brasil poderia crescer 5% por dez anos seguidos, e esse era o caminho da prosperidade em que a gente já estava", explicou Guedes, enfatizando que todos os ingredientes para esse deslanche econômico estavam disponíveis no final de 2022.

Comparação com a gestão atual e controle da dívida

O ex-ministro não perdeu a oportunidade de contrastar a política fiscal do governo Bolsonaro com a do atual governo Lula. Ele lembrou que, durante sua gestão, a dívida pública alcançou 80% do PIB devido às medidas emergenciais adotadas durante a pandemia, mas que com a reabertura da economia e contenção de gastos, esse percentual recuou para 70% no final do mandato.

"Voltamos a um resultado fiscal de pandemia, sem pandemia", destacou Guedes, classificando essa redução como um feito extraordinário de gestão fiscal.

Panorama político e paralelos internacionais

Embora tenha evitado se estender sobre a eleição deste ano, Guedes manifestou confiança na repetição da aliança entre conservadores e liberais, com chances concretas de vitória. Ele traçou paralelos entre o cenário brasileiro e experiências internacionais recentes:

  • A eleição de José Antonio Kast no Chile, marcando uma guinada à direita após quatro anos de governo esquerdista
  • A vitória de Javier Milei na Argentina, representando outra mudança política significativa

Guedes observou que, embora Lula concentre os votos da esquerda no primeiro turno, é possível que os eleitores de direita unam forças em torno do candidato que enfrentar o petista no segundo turno. "Temos uns três candidatos de direita que podem comandar algo assim", completou.

Inflação e política monetária

O ex-ministro lembrou que em dezembro de 2022, a taxa Selic estava em 13,75% para conter uma inflação que superava os 5%. Segundo o último boletim Focus do Banco Central daquele ano, o mercado já projetava uma inflação de 5,31% para 2023, antecipando que o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, seguiria o que Guedes chamou de velho hábito de gastar mais do que arrecada.

Para Guedes, esse cenário contrasta com o que poderia ter sido com a continuidade das políticas de ajuste fiscal, onde o controle da inflação permitiria cortes mais agressivos de juros e, consequentemente, um ambiente mais favorável ao crescimento econômico sustentável.