Acre tem uma das gasolinas mais caras do Brasil e guerra no Oriente Médio pressiona preços
Gasolina cara no Acre e guerra afetam preços dos combustíveis

Acre registra uma das gasolinas mais caras do país com pressão de guerra no Oriente Médio

Os consumidores do Acre estão enfrentando um aumento significativo nos preços da gasolina nos postos de combustível, mesmo sem um anúncio oficial de reajuste pela Petrobras. O estado já possui uma das gasolinas mais caras do Brasil, com valores que pressionam o orçamento das famílias e dos trabalhadores.

Contexto nacional e internacional

No sábado, a Petrobras anunciou um reajuste no diesel de R$ 0,38 por litro para as distribuidoras. Este mês, a guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, encarecendo a matéria-prima usada na produção de combustíveis. A tensão geopolítica tem desencadeado mudanças globais na economia, com impacto direto nos custos de importação e produção.

Preços recordes no Acre

Em janeiro deste ano, o preço médio da gasolina comum no Acre estava em torno de R$ 7,24 a R$ 7,25 por litro, registrando um dos valores mais altos do Brasil. Já o litro do biocombustível foi comercializado, no estado, em média por R$ 5,99, o valor mais alto do ranking nacional. Esses números refletem uma realidade de custo elevado que afeta diretamente a população local.

Impacto nas distribuidoras e revendedores

Durante a semana, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre (Sindepac) divulgou que os revendedores já sentem o impacto ao comprar novos estoques das distribuidoras. O sindicato destacou que recebeu informações de que houve dois reajustes lineares na gasolina e diesel, que juntos chegaram a um aumento de R$ 0,35 centavos no litro.

"Diante desses fatos, é possível que as mudanças nos preços comecem a ocorrer nas bombas ainda essa semana, na medida em que novos estoques forem comprados pelos revendedores nas distribuidoras", diz o sindicato em nota oficial. O Sindepac reforça que os revendedores são o último elo de comercialização dessa cadeia e não possuem ingerência nos preços que já vêm reajustados de cima.

Relatos dos consumidores

De acordo com o soldador João Simão, que possui uma motocicleta como veículo de locomoção, a média de gasto em abastecimento é de R$ 80 por mês com gasolina. Agora, segundo ele, esse valor vai aumentar e pode ultrapassar os R$ 100. Mesmo tendo uma motocicleta econômica, João já pensa em substituí-la para reduzir os custos.

"Na verdade, eu estava pensando em comprar uma moto elétrica. Porque se a moto já gasta um pouco, imagina com o carro que gasta mais. Duplica tudo", disse.

Já o empreendedor João Paulo precisa diariamente do carro para poder trabalhar. Com os constantes aumentos no preço do combustível, ele já pensou até mesmo em trocar o carro por uma moto.

"Não troquei porque a família é grande, se não tinha trocado já. Eu já estaria com certeza de uma motinha", afirmou. Além disso, ele também conta que busca alternativas para economizar quando tem que abastecer.

"A gente sempre procura, de vez em quando dá um cupom de desconto, que é como a gente consegue cashback, que a gente consegue ter uma redução mínima ali", detalhou.

Situação no interior do estado

Em Cruzeiro do Sul, os motoristas também já sentem o impacto do novo reajuste no valor dos combustíveis. Com a atualização dos valores, o aumento foi de aproximadamente R$ 0,20 na gasolina e no diesel comum. Já no diesel S10, que possui maior dependência de importação, o reajuste chegou a cerca de R$ 0,70 por litro em alguns postos.

Conforme Arenilson Paixão, gerente de uma rede de postos na cidade, o reajuste já era esperado devido ao cenário internacional. Segundo ele, o impacto ocorre porque o mercado internacional passa por uma instabilidade na produção e na oferta de controle.

"Com o mercado tendo uma demanda e a produção não sendo suficiente para atender essa demanda, consequentemente vai se elevando o preço, foi o que aconteceu. Nós ainda seguramos uma semana, para poder repassar esse reajuste agora ao cliente consumidor, como sempre quem paga é o consumidor. Também pagamos, porque a gente também é consumidor, mas infelizmente não tem como a gente absorver um aumento com o impacto assim significativo", explicou.

Reflexos no orçamento e serviços

O reajuste nas bombas pressiona o orçamento dos consumidores e acaba refletindo também no custo de serviços e produtos na cidade. Para muitos motoristas, como o Deusimar Vieira que trabalha como motorista de aplicativo, a alternativa tem sido apertar as contas e tentar equilibrar os gastos diante de mais esse aumento.

"Quando eu cheguei aqui [no posto de combustível] eu senti pesado, eu pensava que estava normal, mas o aumento fica ruim para nós, e não podemos tirar do cliente que não tem como, porque se tirar não tem como, tem que aguentar uma despesa para nós mesmos", afirmou.

Perspectivas futuras

O Sindepac informa que, oficialmente, ainda não foi anunciado um reajuste pela Petrobras, mas isso, conforme supracitado, já vem ocorrendo. Não há, inclusive, como mensurar qual será o impacto real nas bombas dos Postos de Combustíveis do Acre, uma vez que isso depende de uma série de fatores como logística, frete, distribuidoras e custo operacional.

A tensão no Oriente Médio, ocasionada pelos Estados Unidos, Israel e Irã, continua a influenciar o preço do barril de petróleo, que já ultrapassou os 100 dólares. Este cenário mantém a pressão sobre os preços dos combustíveis, com expectativa de que os consumidores do Acre continuem enfrentando desafios no abastecimento nos próximos meses.