Faturamento da indústria cresce em janeiro, mas permanece abaixo do patamar de 2025
Faturamento industrial sobe em janeiro, mas fica abaixo de 2025

Faturamento industrial registra crescimento mensal, mas enfrenta pressões persistentes

Os dados mais recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam um cenário misto para o setor industrial brasileiro no início de 2026. O faturamento da indústria de transformação apresentou um aumento de 2,3% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025, conforme os Indicadores Industriais divulgados nesta segunda-feira, 9 de março. No entanto, essa melhora mensal não consegue mascarar a fragilidade estrutural que persiste no segmento.

Comparação anual evidencia desafios significativos

Quando analisado em relação ao mesmo período do ano anterior, o panorama se torna mais preocupante. O faturamento industrial recuou expressivos 9,7% na comparação entre janeiro de 2026 e janeiro de 2025, demonstrando que o setor ainda opera em patamar consideravelmente inferior ao registrado há doze meses. Essa discrepância entre a recuperação mensal e o desempenho anual sinaliza que os obstáculos enfrentados pela indústria continuam substanciais.

Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, explica que os fatores que contribuíram para o enfraquecimento do setor ao longo de 2025 permanecem atuando como limitadores da recuperação. "Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 seguem penalizando o setor, especialmente os juros elevados, o alto custo do crédito e a desaceleração da demanda, além da forte entrada de bens de consumo importados", afirma a analista.

Outros indicadores refletem tendência similar

O levantamento da CNI aponta variações semelhantes em diversos outros parâmetros de atividade industrial:

  • As horas trabalhadas na produção cresceram 0,5% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mas apresentam tendência de queda iniciada no segundo semestre do ano passado, com diminuição de 2,6% na comparação anual.
  • O número de empregados na indústria de transformação avançou 0,5% no primeiro mês de 2026, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de retração, embora permaneça ligeiramente inferior (-0,2%) ao nível de janeiro de 2025.
  • A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) teve pouca variação, passando de 77,4% em dezembro de 2025 para 77,6% em janeiro deste ano, mas registra nível 1 ponto percentual menor do que o observado em janeiro de 2025.

Indicadores de renda apresentam recuperação moderada

Entre os parâmetros relacionados à remuneração do trabalho, a massa salarial real da indústria de transformação registrou aumento de 1% em janeiro de 2026, marcando uma recuperação após um período de desempenho majoritariamente negativo na segunda metade de 2025. Em relação a janeiro do ano passado, houve crescimento de 0,4%.

O rendimento médio real dos trabalhadores do setor, por sua vez, ficou praticamente estável na passagem de dezembro de 2025 para janeiro de 2026, com variação de -0,1%. Na comparação com janeiro de 2025, o indicador apresentou alta de 0,7%, sugerindo uma ligeira melhora no poder de compra dos profissionais industriais ao longo do ano.

Perspectivas para a política monetária

A especialista da CNI também comenta sobre as expectativas em relação à política monetária brasileira. "A entidade espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) dê início a um ciclo de redução da taxa básica de juros já na próxima reunião", afirma Larissa Nocko. Contudo, ela ressalta que a Selic deve continuar em patamar elevado por algum tempo, o que tende a restringir a atividade econômica, especialmente na indústria de transformação que depende fortemente de financiamento e investimentos.

Este cenário complexo indica que, apesar dos sinais positivos pontuais, a indústria brasileira ainda enfrenta um caminho desafiador para recuperar seu vigor pleno, necessitando de condições macroeconômicas mais favoráveis e políticas setoriais adequadas para superar as pressões que limitam seu crescimento sustentável.