Faria Lima torce por inflação e juros altos em meio à crise do petróleo no Oriente Médio
Faria Lima torce por inflação e juros altos em crise do petróleo

Faria Lima torce pela inflação e juros altos em meio à crise do petróleo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem razão em sua crítica: a turma da Faria Lima torce sempre pelo pior cenário econômico. Em meio à crise no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, o fluxo marítimo de petróleo está engarrafado, criando uma situação de extrema incerteza nos mercados globais.

Impactos globais do conflito no Oriente Médio

Com as seguradoras recusando cobertura para navios que insistam em navegar pelo Mar Vermelho – por onde escoam de 20% a 25% do petróleo e GNL do mundo – os grandes produtores árabes como Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iraque e o próprio Irã, todos super estocados, não tiveram outra alternativa senão cortar a produção.

Segundo a consultoria 4Intelligence, "a escalada do conflito no Oriente Médio levou a um repique nos preços do petróleo associado ao risco ainda elevado de que as tensões na região se prolonguem". A consultoria destaca que, mesmo que o presidente norte-americano Donald Trump sinalize preferência por uma intervenção curta, o cenário permanece altamente incerto.

Pressões inflacionárias e especulação

O choque de oferta já gera pressão inflacionária global, e se o conflito se estender, a pressão dos custos de combustíveis tornará o recuo da inflação nos Estados Unidos ainda mais lento. A Europa tende a ser mais prejudicada por depender mais da energia advinda da região conflagrada, enquanto a China deve absorver melhor o choque graças ao nível elevado de reservas estratégicas.

"Diante de tamanha incerteza, por ora mantemos nossas projeções para as principais economias inalteradas, mas com claro viés de alta para inflação e viés de baixa para crescimento", afirma a consultoria.

Cenário brasileiro e atuação da Petrobras

No Brasil, os impactos diretos da disparada do petróleo tendem a ser mais moderados, em parte devido ao controle da Petrobras sobre os preços domésticos de combustíveis. A empresa extrai 70% do petróleo consumido em suas refinarias do pré-sal, a um custo inferior a US$ 21 por barril, o que lhe dá fôlego para evitar o repasse integral dos preços internacionais para o mercado doméstico.

Ainda assim, a consultoria admite que "se os preços internacionais seguirem pressionados por mais algumas semanas, algum repasse aos preços domésticos se tornará provável". A redução da tributação dos combustíveis poderia suavizar o impacto sobre o consumidor final.

Agronegócio e política monetária

Do ponto de vista da atividade econômica, o choque gerado pelo conflito no Oriente Médio pode trazer efeito líquido moderadamente positivo via indústria extrativa e setores ligados a combustíveis alternativos. Por outro lado, o agronegócio pode sofrer com custos maiores, especialmente de fertilizantes, embora essa leitura seja considerada apressada por especialistas, já que a safra atual está sendo colhida e a de 2026-27 só será trabalhada a partir de agosto.

O ambiente reforça a necessidade de cautela por parte do Banco Central. Embora o corte de 50 pontos-base permaneça como cenário mais provável para o Copom de 18 de março, a probabilidade de uma redução menor – de 25 pontos – voltou a aumentar. "A resiliência do mercado de trabalho, a pressão sobre serviços e o risco de secundarização do choque energético justificariam um ritmo potencialmente mais lento de flexibilização monetária", avalia a consultoria.

Crítica à especulação financeira

Fernando Haddad, que deixa o cargo na semana que vem para concorrer ao governo de São Paulo, tem razão em sua crítica: a turma da Faria Lima torce sempre pelo pior cenário ou pela incerteza para manter os juros altos que asfixiam a economia. A pergunta que fica é: estão esperando mais empresas pedirem recuperação judicial para mudar de postura?

O cenário de curto prazo permanece incerto, e é precipitado apostar numa inflação duradoura e na interrupção da baixa dos juros, sobretudo no Brasil. Há mais especulação no mercado que avaliação precisa sobre a duração do conflito entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, e suas consequências reais para a economia global.