Economistas alertam: 'Vibe de recessão' e corrosão inflacionária afetam humor do brasileiro
Economistas alertam: 'Vibe de recessão' afeta humor do brasileiro

Humor econômico do brasileiro azeda com percepção crescente de dificuldades

O humor do brasileiro em relação à economia deteriorou-se significativamente, segundo dados recentes que revelam uma sensação crescente de que a vida tornou-se mais difícil. A percepção de piora econômica subiu para impressionantes 50% da população, enquanto o sentimento de perda do poder de compra avançou para 71%. Nos supermercados, o impacto é ainda mais direto e palpável: 72% dos consumidores já notam preços mais altos, um fator que mexe com o bolso e com o humor quase automaticamente.

Desânimo se estende ao mercado de trabalho

Esse desânimo não se limita apenas ao consumo. No mercado de trabalho, mais da metade dos entrevistados, especificamente 53%, acredita que está mais difícil conseguir emprego atualmente. Este é um sinal particularmente relevante porque, mesmo entre aqueles que estão trabalhando, cresce o receio de instabilidade profissional. Em economia, essa sensação de insegurança vale muito: quando as famílias ficam apreensivas, o consumo naturalmente recua, e o ciclo de desaceleração econômica ganha força adicional.

Fenômeno da 'vibe de recessão' explicado por economistas

O economista-chefe da Lev DTVM, Jason Vieira, denomina esse fenômeno preocupante de 'vibe de recessão'. Não se trata necessariamente de uma recessão técnica, mas sim de uma percepção coletiva de piora econômica generalizada. Segundo ele, existe uma clara desconexão entre os números oficiais e a realidade sentida pela população no dia a dia. 'O que leva à sensação das pessoas de que a situação está ruim é o que chamamos de corrosão inflacionária, que tira o poder de compra', afirma Vieira, destacando que alimentação e transporte pressionam especialmente a renda das famílias de menor poder aquisitivo.

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Jason Vieira lembra que, no ano passado, houve um aumento de renda de apenas 0,4% em termos reais. 'Só 0,4%. Agora, se considerarmos a cesta de consumo mais voltada para a população de baixa renda, você teve uma redução real de 1,5% da renda em 2026', calcula o especialista. Para ele, a taxa Selic alta é consequência e não causa dos problemas. 'Os juros altos são consequência de uma taxa de gasto público muito elevada e descontrolada. A elevação da dívida pública e a percepção de que a dívida entrou numa trajetória ascendente sem resolução', explica detalhadamente.

Medo do desemprego e vulnerabilidade emocional

Essa corrosão econômica não aparece apenas nas compras do dia a dia. Ela também se traduz em insegurança profissional profunda. Vieira observa que mesmo pessoas atualmente empregadas estão temerosas com o futuro, o que cria um ambiente generalizado de cautela e precaução. O resultado é um 'cansaço geral', nas palavras do economista, muito mais ligado ao peso econômico concreto do que apenas ao debate político abstrato. Quando o bolso realmente aperta, a percepção da realidade muda rapidamente.

O especialista em investimentos Gustavo Trotta acrescenta outro ingrediente crucial a essa equação complexa: os juros elevados. Para ele, a combinação perigosa de risco percebido maior com crédito excessivamente caro reduz tanto o consumo das famílias quanto o apetite das empresas para investir em expansão. 'Há uma percepção clara de menor demanda das famílias, e as empresas pensam duas vezes antes de investir', explica Trotta. O efeito cumulativo é um freio gradual na atividade econômica, que por sua vez reforça o sentimento negativo já estabelecido.

Do lado do consumo, a vulnerabilidade emocional também entra na conta de maneira significativa. A avaliação dos especialistas é que notícias externas, como conflitos internacionais em andamento, aumentam a expectativa de inflação futura e deixam o consumidor brasileiro mais sensível e reativo. Nesse ambiente de incerteza, qualquer rumor de alta de preços ganha força desproporcional e pode até ser explorado por reajustes antecipados por parte de fornecedores. No fim das contas, a economia real e o psicológico coletivo caminham juntos — e, neste momento específico, ambos apontam inequivocamente para um cenário de maior cautela e contenção.

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