Governo prevê dívida pública em 86% do PIB em 2027, com alta de quase 12 pontos no mandato de Lula
Dívida pública pode chegar a 86% do PIB em 2027, prevê governo

Governo federal projeta aceleração da dívida pública para 86% do PIB em 2027

O Ministério do Planejamento apresentou uma atualização significativa nas projeções para a dívida pública brasileira nos próximos anos. Segundo a Proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, divulgada na quarta-feira, 16 de abril de 2026, a dívida bruta do governo deve seguir uma trajetória de crescimento acelerado, alcançando 86% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027, que será o primeiro ano da próxima gestão federal.

Pico da dívida previsto para 2029 e aumento no mandato de Lula

Os dados oficiais indicam que o ponto mais alto da dívida pública em relação ao tamanho da economia nacional deve ocorrer em 2029, quando a relação deve atingir 87,8% do PIB. Ainda em 2026, último ano do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida está projetada para chegar a 83,6% do PIB.

Com base nessas estimativas, o terceiro mandato de Lula pode ser marcado por um aumento de quase 12 pontos percentuais na dívida como proporção do PIB. Em dezembro de 2022, imediatamente antes da posse do presidente, o percentual era de 71,7% do PIB. Durante o atual mandato, a dívida bruta do governo já cresceu em impressionantes 2,95 trilhões de reais, conforme dados divulgados pelo Banco Central.

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Comparação histórica e projeções internacionais divergentes

Se a previsão do governo se concretizar, o aumento da dívida pública durante a terceira gestão de Lula será próximo do observado no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Naquela época, a relação dívida-PIB disparou 13 pontos percentuais, com a ressalva de que o mandato de Dilma foi encurtado pelo processo de impeachment. A dívida saltou de 56,3% do PIB em dezembro de 2014 para 69,3% do PIB em agosto de 2016, um período de um ano e oito meses.

Entretanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou uma previsão consideravelmente mais pessimista também na quarta-feira, 15 de abril. A instituição internacional estima que a relação dívida-PIB do Brasil pode atingir impressionantes 100% no próximo ano. O governo federal atribui a diferença entre as projeções a questões metodológicas nos cálculos realizados pelas duas entidades.

Otimismo governamental versus cautela do mercado financeiro

A análise do Ministério do Planejamento sobre a relação dívida-PIB é vista com certo ceticismo por agentes do mercado financeiro, que consideram as projeções um tanto otimistas. Enquanto o governo trabalha com expectativas de crescimento econômico acima de 2,5% a partir de 2027, o mercado prevê expansões iguais ou inferiores a 2%, conforme indicado pelo Boletim Focus, publicação regular do Banco Central.

Além das projeções para a dívida pública, o PLDO apresentado nesta semana aponta para um superávit efetivo de 8 bilhões de reais nas contas do governo em 2027. Caso se confirme, este seria o primeiro saldo positivo nas contas públicas desde o ano de 2022, representando um alívio potencial para as finanças nacionais.

As novas estimativas destacam os desafios fiscais que o país enfrentará nos próximos anos, com implicações significativas para políticas econômicas, investimentos públicos e a confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.

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