Dólar inicia em queda enquanto petróleo sobe com tensão geopolítica
O dólar começou a sessão desta quinta-feira, 16 de maio, em movimento de queda, recuando 0,02% na abertura e sendo cotado a R$ 4,9908. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguardava sua abertura às 10h. Este cenário ocorre em um contexto de tensões internacionais renovadas e expectativas sobre indicadores econômicos tanto no Brasil quanto no exterior.
Cenário internacional: tensão entre EUA e Irã pressiona mercados
Nos Estados Unidos, a situação com o Irã voltou a se intensificar. Na quarta-feira, 15 de maio, o ex-presidente Donald Trump ordenou o envio de mais de 10 mil militares americanos para a região do Oriente Médio, conforme revelado pelo jornal Washington Post. Esta medida é interpretada como uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerã antes de uma possível nova rodada de negociações diplomáticas.
Paralelamente, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou que Washington está se preparando para impor sanções adicionais contra nações ou corporações que mantenham relações comerciais com o Irã. Estas sanções poderiam afetar, por exemplo, compradores chineses de petróleo iraniano, com o objetivo claro de ampliar a pressão econômica sobre o país persa.
Impacto nos preços do petróleo e indicadores econômicos
Em meio a este ambiente geopolítico carregado, os preços do petróleo registraram alta significativa nesta quinta-feira. Pouco antes das 9h, horário de Brasília, o Brent, referência internacional do petróleo, avançava 1,4%, alcançando US$ 96,27 por barril. Já o petróleo americano, conhecido como WTI, apresentava alta de 1,2%, cotado a US$ 92,41 por barril.
Na agenda econômica brasileira, o grande destaque do dia é a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br. Este indicador funciona como uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto e a expectativa do mercado é de um crescimento de 0,47% no mês de fevereiro.
No cenário internacional, os Estados Unidos divulgam os pedidos semanais de auxílio-desemprego, com previsão de estabilidade em relação à semana anterior. Posteriormente, serão publicados os dados de produção industrial referentes ao mês de março, com estimativa de um avanço modesto de 0,1%.
Desdobramentos da guerra e movimentos diplomáticos
Os acontecimentos mais recentes no conflito entre Irã e Estados Unidos revelam um panorama de tensão ainda elevada, mas com sinais ambíguos que mesclam confronto e tentativas de negociação. Um episódio emblemático ocorreu no estratégico Estreito de Ormuz, onde um petroleiro iraniano, incluso nas listas de sanções americanas, conseguiu atravessar a região e alcançar águas territoriais iranianas sem qualquer interferência, mesmo diante do bloqueio naval imposto por Washington.
De acordo com a agência de notícias iraniana Fars, o navio, com capacidade para transportar até dois milhões de barris de petróleo, manteve seu sistema de rastreamento ativo durante toda a travessia. Simultaneamente, o discurso político do Irã tenta sinalizar abertura ao diálogo. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o país não busca guerra, mas sim negociações, declarando que qualquer tentativa de imposição ou rendição por parte dos Estados Unidos está condenada ao fracasso.
Esta declaração ocorre em meio à expectativa de uma possível retomada das conversas de paz, que poderiam ser mediadas pelo Paquistão ainda nesta semana. Contudo, o avanço diplomático permanece incerto. O governo iraniano afirma que ainda não há data definida para uma nova rodada de negociações e que não houve acordo sobre temas centrais, como a liberação de ativos financeiros congelados do país.
Do lado americano, autoridades indicam que também não houve compromisso formal para estender o cessar-fogo, embora as conversas continuem em andamento. A chegada de uma delegação paquistanesa ao Irã, prevista para esta quarta-feira, pode representar mais um passo nas negociações indiretas entre Teerã e Washington. A expectativa é que o grupo leve novas mensagens dos Estados Unidos, em uma tentativa de manter o diálogo aberto mesmo diante de um cenário ainda marcado por incertezas e episódios de tensão nos campos militar e econômico.
Panorama dos mercados globais
Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas de valores, que indicam a tendência de abertura do mercado, subiam por volta das 9h, horário de Brasília. O futuro do Dow Jones avançava 0,05%, o do S&P 500 ganhava 0,07% e o do Nasdaq registrava uma alta de 0,17%.
Na Europa, as principais bolsas também operavam em território positivo. O índice STOXX 600, que reúne empresas de diversos países do continente, subia 0,43%, alcançando 619,94 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançava 0,5%, para 10.610,04 pontos. O CAC 40, da França, registrava alta de 0,5%, a 8.316,76 pontos, enquanto o DAX, da Alemanha, subia 0,5%, para 24.175,91 pontos.
Na Ásia, a maioria dos mercados encerrou o pregão em forte alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou expressivos 1,7%, fechando aos 26.394,26 pontos, e o índice de Xangai subiu 0,7%, para 4.055,55 pontos. No Japão, o Nikkei 225 saltou 2,4%, estabelecendo um novo recorde ao fechar em 59.518,34 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 2,2%, para 6.226,05 pontos.
Parte deste movimento positivo nos mercados asiáticos foi influenciada por dados econômicos da China, que indicaram um crescimento de 5% no primeiro trimestre do ano. No entanto, analistas financeiros alertam que o desempenho das exportações chinesas pode enfrentar sérios desafios nos próximos meses, diante da evidente desaceleração da economia global.
Desempenho acumulado do dólar e do Ibovespa
Dólar:
- Acumulado da semana: -0,39%
- Acumulado do mês: -3,61%
- Acumulado do ano: -9,05%
Ibovespa:
- Acumulado da semana: +0,21%
- Acumulado do mês: +5,48%
- Acumulado do ano: +22,72%



