Dólar cai e Bolsa sobe após Trump declarar que guerra no Irã está perto do fim
Dólar cai e Bolsa sobe com declaração de Trump sobre guerra no Irã

Mercados reagem com otimismo após declaração de Trump sobre guerra no Irã

O dólar apresentou queda nesta terça-feira (10), com investidores repercutindo positivamente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o fim da guerra no Irã está próximo. O republicano declarou que o conflito está "praticamente encerrado" e que Washington está "muito à frente" do prazo inicialmente estimado entre quatro e cinco semanas.

Impacto imediato nos preços do petróleo e nos índices globais

Com o anúncio, o preço do petróleo chegou a desabar mais de 10%, enquanto índices acionários em todo o mundo operam em alta. No Brasil, a moeda norte-americana registrava queda de 0,43%, cotada a R$ 5,142 por volta das 15h30. A Bolsa de Valores, por outro lado, avançava 1,91%, alcançando 184.380 pontos.

Empresas do setor energético, como Petrobras e Braskem, figuram entre os destaques negativos do pregão, refletindo a pressão sobre o segmento devido à queda nos preços da commodity.

Alívio no mercado de energia após tensões geopolíticas

A declaração de Trump foi vista com alívio em meio às preocupações sobre o mercado de energia. Desde que Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã no fim de fevereiro, o Oriente Médio vive um cenário de guerra regional, com ataques se espalhando por territórios vizinhos e gerando temores de um gargalo na área estratégica para o comércio mundial de petróleo.

Na segunda-feira, o petróleo chegou a ficar próximo de US$ 120 por barril, com países cogitando cortar a produção depois que o Irã ameaçou incendiar navios que trafegassem pelo estreito de Hormuz. Este canal é fundamental, pois por ele passam 20% de todo petróleo e gás do mundo, além de ser crucial para o transporte de fertilizantes, plásticos, carnes e grãos.

Volatilidade histórica no preço do Brent

O barril do petróleo Brent viveu uma das sessões de maior volatilidade de sua história na segunda-feira. Após alcançar o pico de US$ 119,46 pela manhã, perdeu fôlego e rondou US$ 100 à tarde, até desabar para US$ 90 após a declaração de Trump. Nesta terça, a queda era de mais de 10%, cotado a US$ 88.

"Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada para o lado positivo ontem, achamos que há uma reação exagerada para o lado negativo hoje", avalia Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS Bank.

Riscos persistentes e cenários pessimistas

Apesar do otimismo, especialistas em energia avaliam que a guerra no Irã já causou a maior disrupção na produção de petróleo da história. Grandes bancos, como Barclays e JPMorgan Chase, afirmam que o barril pode testar a casa de US$ 120 se o conflito persistir por mais algumas semanas.

No cenário mais pessimista, o Barclays projeta o Brent em torno de US$ 150 por barril antes do final do mês. Para efeito de comparação, o Brent chegou à máxima de US$ 128 logo no início da guerra da Ucrânia, em março de 2022, o maior valor desde a crise financeira de 2008.

Medidas adicionais em consideração

Diante do cenário de incertezas, Trump também considera reduzir sanções contra a Rússia, segundo três fontes familiarizadas com o planejamento. Além disso, países do G7 avaliam liberar estoques emergenciais de petróleo para lidar com a crise de abastecimento, conforme informações da Agência Internacional de Energia.

Em resposta à queda do petróleo, ações de empresas ligadas à commodity caíam no pregão da B3 desta terça. A Petrobras recuava 1%; Braskem e Prio, 5% e 2%, respectivamente. O Grupo Pão de Açúcar também estava nos destaques negativos, em queda de 0,73% após pedir recuperação extrajudicial.