Mercados financeiros reagem a possibilidade de acordo de paz no Oriente Médio
O dólar apresentou uma queda expressiva nesta quarta-feira (25), enquanto a Bolsa de Valores registrou alta significativa, em um movimento impulsionado pelas expectativas dos investidores sobre uma possível trégua na guerra do Irã. Às 14h09, a moeda norte-americana caía 0,59%, cotada a R$ 5,223, enquanto o Ibovespa avançava 1,56%, alcançando 185.356 pontos.
Declarações de Trump alimentam otimismo nos mercados
O movimento ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país está tendo progresso nas negociações com o Irã. Em pronunciamento na Casa Branca, o republicano declarou que Teerã teria feito uma concessão importante para firmar um acordo de paz, embora não tenha detalhado a natureza dessa concessão.
"Eles vão fazer um acordo. Na verdade, eles fizeram algo ontem que foi incrível, eles nos deram um presente, que chegou hoje, e foi um presente muito grande, com um valor monetário tremendo", afirmou Trump, acrescentando que isso significava que "estamos lidando com as pessoas certas".
Contradições nas negociações e movimentos militares
Entretanto, o cenário apresenta contradições significativas. Enquanto Trump fala em progresso, o governo americano enviou ao Irã um plano de 15 pontos para encerrar a guerra, segundo revelou o jornal New York Times. Paralelamente, o presidente norte-americano ordenou o envio de aproximadamente 2.000 paraquedistas ao Oriente Médio, conforme informações de funcionários do Departamento de Defesa.
Do lado iraniano, o porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari negou quaisquer negociações entre os países durante pronunciamento na televisão estatal, afirmando que uma trégua não está no horizonte e que Washington estaria "negociando consigo mesmo".
Impacto nos preços do petróleo e inflação global
Apesar das negativas iranianas, os investidores se apegam à esperança de um desfecho para o conflito, o que permitiria a retomada do transporte marítimo pelo estreito de Hormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial. O barril do petróleo Brent, referência internacional, chegou a cair 6,76% durante o pregão e se mantém estável abaixo dos US$ 100.
Para a Ágora Investimentos, discussões sobre um eventual cessar-fogo na guerra impulsionam os mercados acionários mundo afora. "Entretanto, enquanto o conflito não termina efetivamente, persistem os temores inflacionários e juros elevados por mais tempo", analisa a instituição.
Cenário de déjà vu nos mercados
O pregão carrega uma sensação de déjà vu para analistas. Na segunda-feira (23), Trump havia afirmado em publicação na rede social Truth Social que EUA e Irã tiveram conversas "muito boas e produtivas" sobre uma "resolução completa e total das hostilidades no Oriente Médio". Na ocasião, o dólar fechou em forte recuo de 1,31%, enquanto a Bolsa avançou 3,24%.
Contudo, na terça-feira (24), o conflito voltou a escalar com ataques de Israel a instalações de gás iranianas, seguidos por uma nova onda de mísseis lançados por Teerã contra Tel Aviv. A moeda americana encerrou o dia em alta de 0,24%, cotada a R$ 5,254.
Impacto nas decisões de política monetária
A restrição na oferta de petróleo devido ao conflito tem levado o mercado a precificar um repique na inflação global por causa do aumento dos preços de combustíveis. Essa percepção já afeta decisões de juros ao redor do mundo, inclusive no Brasil.
Em ata divulgada nesta terça, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que, diante do novo contexto imposto pela guerra, a duração e a intensidade do ciclo de queda da Selic serão decididas ao longo do tempo. O colegiado não sinalizou passos futuros e deixou a próxima decisão em aberto, marcada para 28 e 29 de abril.
Cenário político doméstico: pesquisa eleitoral competitiva
Ainda no cenário doméstico, investidores seguem atentos ao cenário político brasileiro. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira revela um cenário eleitoral competitivo para as eleições presidenciais de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em intenções para um eventual segundo turno. Nas simulações de primeiro turno, Lula mantém a liderança com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro varia entre 36% e 42%.
Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 47,6% contra 46,6% de Lula, com margem de erro de 1 ponto percentual. A pesquisa mostra um eleitorado dividido e um cenário político que permanece como fator de atenção para os mercados financeiros.
Posicionamento do Brasil nos mercados emergentes
Na visão do J.P. Morgan, o cenário do Brasil permanece positivo, se beneficiando mesmo em momento de aversão global ao risco. "Dentro dos emergentes, a América Latina funciona como um 'porto seguro' e, dentro da região, o Brasil está melhor posicionado", analisa a instituição financeira.
Esses fluxos têm contribuído para que o país esteja entre os mercados com melhor desempenho tanto no acumulado do ano quanto no mês, demonstrando a resiliência da economia brasileira diante das turbulências geopolíticas globais.



