Em 2025, os Correios registraram um prejuízo financeiro de R$ 8,5 bilhões, o maior da história recente da estatal, superando em mais de três vezes o resultado negativo de R$ 2,4 bilhões de 2024. Os dados foram divulgados no Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira (23) e mostram que a empresa completou 14 trimestres consecutivos no vermelho.
Despesas disparam
As despesas gerais e administrativas atingiram R$ 6,3 bilhões em 2025, um crescimento de 37% em relação aos R$ 4,6 bilhões do ano anterior. Esse é o maior valor desde 2001, ano da demonstração financeira mais antiga disponível. Os principais fatores foram o aumento de R$ 215 milhões no pagamento de funcionários administrativos e a elevação dos gastos com precatórios, que saltaram de R$ 1,1 bilhão para R$ 2,5 bilhões.
Receitas em queda
As receitas com a venda de serviços, como entrega de encomendas, recuaram 12%, passando de R$ 18,9 bilhões em 2024 para R$ 16,7 bilhões em 2025. O principal motivo foi a forte redução nas encomendas internacionais, afetadas pelo programa Remessa Conforme, que passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras de até US$ 50, a chamada 'taxa das blusinhas'.
Em 2024, a receita com encomendas internacionais já havia caído para R$ 3,9 bilhões, uma redução de R$ 530 milhões em relação a 2023. Em 2025, o valor despencou para R$ 1,3 bilhão, uma queda de R$ 2,6 bilhões. Esse segmento, que representava 22% do faturamento total em 2023, agora responde por apenas 7,8%.
Documento interno escancara crise
Um documento da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) dos Correios aponta que o programa Remessa Conforme evidenciou os problemas estruturais da empresa. 'A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de monopólio para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade', afirma o texto.
A estatal enfrenta desafios para se adaptar ao novo cenário, com queda na demanda por serviços postais tradicionais e concorrência acirrada no setor de entregas. A expectativa é de que medidas de reestruturação sejam anunciadas para tentar reverter o quadro.



