Copom deve cortar Selic para 14,5% ao ano; veja os motivos
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve anunciar, na noite desta quarta-feira (29), uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. Com isso, a taxa deve cair de 14,75% para 14,5% ao ano, conforme estimativas de instituições como Inter, Itaú BBA e XP Investimentos. A reunião dos diretores e do presidente do BC ocorre entre terça (28) e quarta-feira (29), em um contexto de elevada incerteza sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Cenário econômico e valorização do real
De acordo com o Itaú BBA, desde o último encontro do Copom, o real se valorizou significativamente. Esse movimento foi impulsionado tanto pela melhora dos termos de troca, devido à alta do petróleo, quanto pela continuidade da entrada de capital estrangeiro, especialmente na Bolsa brasileira. Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú BBA, destaca que não houve grandes novidades nos dados de atividade econômica, com evolução ambígua, o que não deve adicionar convicção ao diagnóstico do BC de que o hiato do produto tende a se abrir.
Tom mais duro no comunicado
A XP Investimentos avalia que o comunicado desta semana deve adotar um tom mais duro (hawkish) do que o anterior, reforçando a necessidade de cautela na política monetária para conter os efeitos de médio prazo dos choques inflacionários. A corretora projeta que as estimativas de inflação do Copom devem subir de 3,3% para 3,4% no horizonte relevante. Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que “o tom não será duro a ponto de interromper o ciclo de corte de juros”.
Inflação abaixo do esperado
André Valério, economista sênior do Inter, aponta que a prévia da inflação de abril, medida pelo IPCA-15, ficou abaixo das expectativas do mercado, avançando 0,89% ante projeção de 1,01%. Apesar da surpresa positiva, o resultado ainda não traz alívio suficiente para o cenário inflacionário. A expectativa é que o Copom mantenha o ciclo de cortes, com nova redução de 0,25 ponto percentual. “A perspectiva de um petróleo mais caro deve manter a pressão sobre os preços no curto prazo, aumentando a necessidade de cautela”, diz Valério. O Inter projeta Selic média mais alta ao longo de 2026, encerrando o ano em 12,75%.
Projeções para o fim de 2026
A XP projeta um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião, seguido por duas reduções de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, levando a Selic para 13,5% ao ano no fim de 2026. Esse cenário considera a dissipação das tensões no Oriente Médio e o retorno dos preços do petróleo para a faixa entre 80 e 90 dólares por barril, conforme explica Caio Megale. O Itaú BBA também defende um corte de 0,25 ponto, mas evita projetar o nível da Selic no fim do ano. Para o banco, o Copom deve enfatizar serenidade e cautela, condicionando os próximos passos à evolução dos dados e à avaliação contínua do balanço de riscos, incorporando novas informações sobre a profundidade e duração dos conflitos no Oriente Médio.
Em resumo, os economistas esperam que a reunião desta semana resulte em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,5% ao ano. As projeções para o fim de 2026 variam entre 12,75% e 13,5%, dependendo da evolução da guerra no Oriente Médio e seus impactos nos preços do petróleo e na inflação.



