Região de Campinas enfrenta fechamento massivo de agências bancárias
A região metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, registrou uma redução alarmante de 189 agências bancárias entre os anos de 2019 e 2025. Este declínio representa uma queda significativa de 36,5% no total de unidades físicas disponíveis para atendimento ao público. O levantamento, conduzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a pedido do Sindicato dos Bancários, analisou dados do Banco Central referentes a 37 municípios da região.
Dados detalhados do fechamento nas principais cidades
Os números revelam uma tendência preocupante em diversas localidades. A cidade de Campinas, epicentro da região, apresentou a maior redução proporcional, com uma queda de 42,9% no número de agências, passando de 224 para apenas 128 unidades. Outras cidades também registraram perdas expressivas:
- Americana: redução de 34,3%, de 35 para 23 agências
- Indaiatuba: queda de 26,9%, de 26 para 19 agências
- Sumaré: diminuição de 31,8%, de 22 para 15 agências
- Valinhos: redução de 37,5%, de 16 para 10 agências
- Hortolândia: queda acentuada de 46,7%, de 15 para 8 agências
Situações extremas foram observadas em municípios menores. Lindóia, por exemplo, perdeu completamente seu atendimento bancário presencial, com o fechamento das duas únicas agências que serviam a população local. Louveira registrou redução de 50% (de 6 para 3 agências), enquanto Monte Alegre do Sul sofreu uma queda drástica de 75% (de 4 para apenas 1 agência).
Impacto direto no centro de Campinas e mudanças no atendimento
Dentro do contexto específico de Campinas, o centro da cidade foi particularmente afetado, com o fechamento de 23 agências bancárias nesta área central. Além disso, mesmo entre as 12 agências que permaneceram abertas no centro, foram implementadas mudanças significativas no modelo de atendimento. Em uma instituição bancária localizada nas proximidades da Catedral Metropolitana, por exemplo, os caixas tradicionais foram completamente eliminados desde 13 de março. Atualmente, o atendimento pessoal é realizado exclusivamente pelo gerente, complementado pela disponibilidade de caixas eletrônicos para operações básicas.
A reportagem da EPTV buscou um posicionamento oficial da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre essa tendência de fechamentos e suas justificativas, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta matéria.
Preocupações com clientes idosos e vulnerabilidade a golpes
O cenário de redução do atendimento presencial gera especial preocupação entre clientes idosos e aqueles com menor familiaridade com tecnologias digitais. Teresinha Mendonça Arantes, uma costureira prestes a completar 80 anos, exemplifica essa realidade. Acostumada a realizar suas transações bancárias de forma independente, ela agora depende da ajuda da filha após o fechamento da agência próxima à sua residência.
"Às vezes você quer saber seu saldo, quer saber as coisas do banco. Tem o gerente, que a gente está bem parceira [...] enquanto eu estiver podendo andar, eu quero fazer as minhas coisas e pagar minhas contas. Hoje eu não posso mais porque fechou o banco. Minha filha está fazendo por mim, porque ela faz com aplicativo e é mais fácil para ela. Eu não tenho aplicativo no celular, eu tenho o básico", relata Teresinha.
Lourival Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Bancários, alerta que o problema se intensifica diante do aumento de denúncias sobre golpes bancários. Segundo ele, muitos clientes, especialmente os mais desconfiados, buscam atendimento presencial para esclarecer dúvidas e garantir a segurança de suas transações financeiras.
"Uma coisa que está acontecendo bastante é que estão acontecendo muitos golpes nas redes sociais e as pessoas querem ir até o banco. 'Quero falar com meu gerente, saber se ele me ligou, o que é isso, como resolvo isso'. Às vezes, os canais que os bancos possibilitam para a população são de difícil atendimento", explica Silva.
Redução de postos de trabalho e precarização do serviço
Além do impacto sobre os clientes, o fechamento das agências bancárias representa uma séria ameaça aos postos de trabalho na categoria bancária. O presidente do sindicato destaca que a diminuição das unidades físicas inevitavelmente resulta em menos profissionais empregados no setor.
"O atendimento à população, com certeza, fica mais precário. Você fecha as agências, fecha os lugares que a população pode ser atendida. Por consequência disso, a outra preocupação nossa é o número de bancários. Fechando agência, vai ter menos bancário. Mesmo as agências que estão abertas hoje, elas estão na situação de poucas pessoas para atender", afirma Silva.
Tendência nacional alarmante
O cenário observado na região de Campinas reflete uma tendência nacional preocupante. De acordo com dados do Dieese, o Brasil perdeu 37% de suas agências bancárias ao longo de uma década. Atualmente, restam apenas 14 mil unidades em funcionamento em todo o território nacional.
O balanço também revela números ainda mais graves: 638 municípios brasileiros não possuem qualquer agência bancária, deixando aproximadamente 6,9 milhões de pessoas completamente desassistidas por serviços financeiros presenciais. No total, quase metade das cidades do país (48%) não conta com atendimento bancário presencial, afetando cerca de 19,7 milhões de cidadãos que dependem desses serviços para suas transações financeiras cotidianas.



