Economistas alertam: tarefa do Banco Central contra inflação é 'muito difícil'
BC enfrenta tarefa 'muito difícil' para controlar inflação

Economistas alertam: tarefa do Banco Central contra inflação é 'muito difícil'

O Banco Central enfrenta uma missão extremamente desafiadora para conter a inflação, que segue pressionada por fatores externos e voláteis, segundo análise de especialistas ouvidos pelo programa Mercado. A situação atual impõe um teste relevante para a condução da taxa básica de juros, a Selic, com alertas de que ela pode precisar permanecer em patamar mais elevado do que o previsto inicialmente, reduzindo a margem para cortes adicionais.

Trabalho 'muito difícil' do BC diante de choques externos

André Braz, da Fundação Getulio Vargas, destaca que o cenário inflacionário se tornou mais complexo, com boa parte da pressão vindo de elementos fora do alcance direto da política monetária. O IPCA de março, que registrou 0,88%, surpreendeu negativamente e elevou o acumulado em doze meses para 4,14%, muito próximo do teto da meta estabelecida. A gasolina teve papel decisivo nesse resultado, com alta próxima de 5%, evidenciando como itens voláteis influenciam fortemente a inflação brasileira.

Braz ressalta que esse tipo de choque torna o trabalho do Banco Central "muito difícil", já que são preços sobre os quais a autoridade monetária não tem controle direto. Ainda assim, o economista avalia que, dentro desse ambiente turbulento, o BC tem atuado de forma adequada, embora eventos externos – como conflitos internacionais e oscilações de commodities – elevem o grau de incerteza e dificultem a convergência da inflação para a meta.

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Margem estreita para cortes e expectativas em alta

Sérgio Vale, da MB Associados, reforça essa leitura, apontando um desafio relevante para o Banco Central. Ele afirma que a intensidade da inflação de março surpreendeu e que ainda haverá resquícios inflacionários em abril, mantendo o acumulado muito próximo do limite da meta. Com isso, a margem para cortes adicionais da Selic fica mais estreita, exigindo uma postura mais cautelosa da autoridade monetária.

Vale observa ainda que as expectativas de inflação para horizontes mais longos, como 2026 e 2027, estão em alta, sinalizando preocupação do mercado com a persistência dos preços. Esse movimento tende a exigir uma condução mais dependente dos dados, com o Banco Central já indicando redução no ritmo de queda dos juros e movimentos menores nas próximas decisões.

Equilíbrio delicado entre inflação e atividade econômica

Diante de sucessivos choques e possíveis pressões estruturais de custos, cresce a percepção de que a Selic pode precisar permanecer em patamar mais elevado do que o inicialmente previsto. O desafio, portanto, passa a ser equilibrar o combate à inflação sem comprometer o ritmo da atividade econômica, em um ambiente em que cada decisão sobre juros ganha peso adicional.

A comunicação e a transparência do Banco Central se tornam essenciais nesse contexto, servindo para ancorar expectativas e orientar o mercado sobre os próximos passos da política monetária. Especialistas concordam que, embora a tarefa seja árdua, a atuação da autoridade monetária segue sendo crucial para garantir a estabilidade econômica em meio a um cenário global volátil e imprevisível.

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