O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, reafirmou nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa um marco histórico para a economia brasileira. Em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, ele destacou o potencial do tratado para gerar empregos e fortalecer setores estratégicos como o agronegócio e a indústria.
Um marco comercial de duas décadas
O acordo, que está em negociação há cerca de vinte anos, está prestes a ser formalizado. A assinatura está prevista para este sábado, no Paraguai, país que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. Após a assinatura, o texto seguirá para os processos de ratificação no Parlamento Europeu e no Congresso Nacional brasileiro.
A expectativa do governo federal é que toda a tramitação seja concluída ainda no primeiro semestre deste ano, permitindo que o acordo entre em vigor na segunda metade de 2026. Trata-se do maior acordo já firmado entre blocos econômicos, abrangendo um mercado consumidor de aproximadamente 720 milhões de pessoas e somando um Produto Interno Bruto (PIB) conjunto na casa dos US$ 22 trilhões.
"Emprego na veia" e oportunidades setoriais
Geraldo Alckmin foi enfático ao relacionar o comércio exterior com a geração de postos de trabalho. "Comércio exterior é emprego na veia", declarou o ministro, ressaltando que a redução de tarifas e o aumento do fluxo comercial tendem a criar empregos diretos na economia nacional.
O acordo promete beneficiar múltiplas frentes. Para o agronegócio, significa abrir as portas de 27 países ricos para produtos brasileiros, superando barreiras históricas, como as resistências lideradas pela França, que frequentemente questionam a competitividade do setor agrícola nacional.
Já para a indústria, o tratado chega para consolidar uma relação já sólida. A União Europeia é, atualmente, o segundo maior parceiro comercial do Brasil e o segundo principal destino das exportações de manufaturados nacionais, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A liberalização comercial, ainda que regrada, deve impulsionar ainda mais esse fluxo.
Um mundo de oportunidades além das fronteiras
Alckmin utilizou um dado macroeconômico para ilustrar a importância de o Brasil se integrar ao comércio global. "O Brasil tem 2% do PIB do mundo. Então, 98% do comércio está fora do Brasil. É fundamental a gente exportar, importar", argumentou.
A visão do governo é que o livre-comércio fortaleça simultaneamente três pilares: agronegócio, indústria e serviços. A consolidação desse acordo é vista como um divisor de águas, capaz de proporcionar maior estabilidade e previsibilidade para os negócios, atrair investimentos e, em última instância, aquecer o mercado interno com mais oportunidades.
O caminho agora é de aprovações legislativas. Enquanto o Parlamento Europeu analisará o texto, no Brasil o Congresso Nacional terá a palavra final. A confiança do Planalto é de que, após tanto tempo de discussão, o acordo encontre terreno fértil para sua rápida implementação, trazendo novos ventos para a economia brasileira.