Açaí em Belém registra alta de mais de 15% em fevereiro, com litro chegando a R$ 33,15 em média
O litro do açaí consumido na capital paraense, Belém, apresentou um aumento significativo de mais de 15% no mês de fevereiro de 2026, alcançando a média de R$ 33,15 para o tipo médio. Esses dados são provenientes do balanço divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese-PA), que realiza pesquisas periódicas em feiras livres, supermercados e diversos pontos de venda.
O fruto, que é um símbolo cultural e alimentar do Pará, continua a encarecer, exercendo uma pressão considerável sobre o orçamento das famílias paraenses. Em algumas localidades, durante a quinzena de março, foram observadas variações que chegaram a impressionantes R$ 70, evidenciando a volatilidade e o impacto direto no custo de vida.
Detalhes dos aumentos e comparação com a inflação
Para o açaí classificado como tipo médio, o preço subiu de R$ 28,82 em janeiro para R$ 33,15 em fevereiro, representando uma alta de 15,02% apenas no mês. No acumulado do bimestre, o aumento foi de 15,22%, e em doze meses, a elevação chegou a 12,64%. É importante destacar que esse crescimento supera em mais do dobro a inflação oficial registrada no período, que ficou em 3,81%.
Já o açaí do tipo grosso também apresentou um reajuste expressivo, passando de R$ 41,95 para R$ 47,19. Isso corresponde a um aumento mensal de 12,49%, um avanço de 13,30% no ano e quase 17% em doze meses, reforçando a tendência de alta generalizada.
Variações de preço por ponto de venda em Belém
As pesquisas realizadas pelo Dieese-PA revelam disparidades consideráveis nos valores cobrados conforme o local de compra. Nas feiras livres de Belém, o açaí médio variou entre R$ 30 e R$ 42 na última semana de fevereiro. Enquanto isso, os supermercados apresentaram preços que oscilaram de R$ 34,99 a R$ 38 para o mesmo produto.
No caso do açaí grosso, as feiras livres registraram valores que iam de R$ 40 a R$ 60, e os supermercados cobraram entre R$ 49,99 e R$ 55. Levantamentos iniciais do Dieese-PA para o mês de março já indicam que esses preços podem ultrapassar a marca de R$ 70 em determinados estabelecimentos, agravando ainda mais a situação para os consumidores.
Causas da alta e alerta dos especialistas
Vários fatores contribuem para essa escalada de preços. A entressafra do açaí reduz drasticamente a oferta de frutos no mercado, criando um cenário de escassez. Além disso, custos operacionais mais elevados com transporte, energia elétrica e armazenamento também pesam na formação do preço final.
Outro elemento significativo é a demanda externa aquecida, que aumenta a competição pelos produtos disponíveis. Everson Costa, supervisor técnico do estudo realizado pelo Dieese-PA, emite um alerta claro: "A carestia deve persistir até o fim da entressafra, impactando diretamente o bolso dos paraenses".
A instituição informou que continua monitorando semanalmente a evolução do preço do açaí e prevê a continuidade da tendência de alta nos próximos períodos, o que exige atenção dos consumidores e das autoridades.
