Uma década de transformações
Era 14h de uma sexta-feira quando as primeiras corridas por aplicativo começaram a ser solicitadas em Fortaleza. Desde então, dez anos se passaram, e o serviço se tornou indispensável na capital cearense, alterando profundamente a mobilidade urbana. A Uber iniciou suas operações em 29 de abril de 2016, com a modalidade UberX, exclusiva para carros. No ano seguinte, a 99 também chegou à cidade. Em junho de 2021, as motos da Uber passaram a circular, seguidas pela categoria 99 Moto em 2022.
Esta é a primeira reportagem de uma série do g1 que analisa os impactos do transporte por aplicativo em Fortaleza ao longo de uma década. A chegada desses serviços teve impacto direto na mobilidade e na estrutura urbana, com redução de usuários de transporte público, criação de espaços dedicados aos condutores e alterações viárias. O serviço também gerou oportunidades de renda para muitos profissionais, que inicialmente atuavam na informalidade, sem cobrança de impostos ou regras. Hoje, a categoria busca regulamentação e direitos, enfrentando desafios como insegurança pública e disputa com taxistas.
O lado do motorista
Evans Sousa é motorista de aplicativo desde setembro de 2016 e hoje preside a Associação dos Motoristas de Aplicativo do Ceará (AMAP-CE). Ele destaca que o trabalho se torna viciante pela flexibilidade de horários e possibilidade de ganhos maiores que o salário mínimo. “No começo, foi muito bom, mas hoje é diferente. A disciplina é essencial para ter sucesso”, afirma.
Usuários fiéis
A fiscal ambiental Fernanda Araújo, de 28 anos, usa aplicativos para quase tudo: trabalho, academia, mercado. Ela abandonou o transporte público há seis anos devido à segurança e conforto. “Os ônibus eram desconfortáveis e demorados. O aplicativo é mais viável e confortável”, diz.
Da irregularidade à regulamentação
O serviço enfrentou batalhas para se consolidar. Em 2018, uma lei municipal estabeleceu regras, e Uber e 99 se regularizaram. George Dantas, presidente da Etufor, explica que a regulamentação trouxe profissionalização e documentação, com vistorias anuais. “Antes, qualquer carro servia; hoje há um padrão”, complementa Evans.
Evolução tecnológica
Fabrício Ribeiro, diretor da 99, destaca avanços em segurança, algoritmos de precificação e campanhas. Fortaleza tem mais usuários que a média nacional, com mais de 1 milhão de usuários da 99 na região metropolitana. A Uber investiu R$ 1 bilhão em tecnologia no Brasil, com foco em segurança.
Mudanças na cidade
O Aeroporto Internacional de Fortaleza ganhou espaço exclusivo para motoristas de aplicativo, reduzindo conflitos. O transporte público sofreu queda drástica: de 1,15 milhão de passageiros por dia em 2015 para 520 mil em 2025. Em 2026, a prefeitura inaugurou as “Paradinhas”, espaços dedicados a condutores de app, uma no Papicu e outra no bairro de Fátima (exclusiva para motos e bicicletas). A AMC afirma que monitora o tráfego e reforça a sinalização, mas não atribui o aumento de veículos exclusivamente aos aplicativos.



