Um tosador de Sorocaba, no interior de São Paulo, conquistou a internet com uma abordagem diferente e afetuosa para deixar os cães tranquilos antes do banho e da tosa. Halem Terezan de Almeida Almodóvar, de 39 anos, foi flagrado pelas câmeras de segurança de seu estabelecimento correndo, se escondendo e abraçando os animais. As imagens já ultrapassam 3 milhões de visualizações nas redes sociais.
O segredo do sucesso
Halem, que é groomer (termo em inglês para tosador), explica que o banho e a tosa podem ser momentos estressantes para os pets devido ao barulho do secador, ao ambiente desconhecido e à presença de estranhos. Por isso, ele utiliza as brincadeiras como uma ferramenta para criar um vínculo de confiança com os animais. “Desde criança eu gosto muito de animais. Nunca pensei que um dia trabalharia na área, teria o meu próprio negócio nesse mundo pet. Tem animais que gostam de banho e tem animais que não. Tudo que eu falo para os clientes é que é adaptação. Não adianta ficar pulando de galho em galho, em vários pet shops. O animal vai se adaptar comigo ou com outro. É o animalzinho que pode escolher”, afirmou.
Viralização e reconhecimento
Os vídeos que viralizaram foram gravados pelas câmeras de segurança do pet shop, que funciona há cinco anos. Nas imagens, Halem aparece correndo pelo salão, se escondendo atrás de paredes e abraçando os cães para deixá-los mais calmos e confortáveis, tanto antes dos procedimentos quanto enquanto aguardam os tutores. “O animalzinho vai se acostumando com você, vai se acostumando com a sua presença. Hoje só tem clientes meus aqui que estão comigo desde quando eu abri o pet. Animais que, no começo, não gostavam nem de olhar para mim e, agora, não querem nem ir embora mais”, contou.
Halem é especialista em estética animal e, além dos atendimentos, ministra cursos sobre suas técnicas de banho em cães. O profissional já foi premiado pelo trabalho. Nas redes sociais, seu perfil ultrapassa 43 mil seguidores, e os vídeos mais famosos somam mais de 5 milhões de visualizações. Com a popularidade, ele passou a interagir mais com os seguidores, respondendo a comentários e compartilhando seu dia a dia. Halem ressalta que todo o conteúdo publicado tem autorização prévia dos tutores dos animais.
“Postei e foi bem bacana, viralizaram os vídeos, foi muito bom, tem ótimos comentários, eu estou sempre falando com todo mundo também. Tem dado certo, é tratar com carinho, com amor, e é isso que importa, sabe? É os animais de saírem daqui felizes, tranquilos. O feedback dos tutores que é a melhor parte. Tem clientes que ligam pra mim, fico assustado, mas falam: ‘Eu entreguei o cachorro para você e você me entrega outro, parabéns’”, acrescentou.
Explicação científica
A técnica de brincar com os cães antes do banho tem respaldo científico e é fundamental para o bem-estar animal. Segundo o médico veterinário Yan Demarchi, a interação positiva reduz o estresse causado pelo ambiente desconhecido do pet shop, que envolve cheiros, barulhos e a presença de outros animais. “O pet acaba ficando em estado de alerta. A interação positiva, com carinho, voz calma e brincadeiras leves, ajuda o animal a entender que não está em risco”, afirma.
De acordo com o especialista, animais que recebem essa atenção prévia tendem a ficar mais tranquilos, apresentando menos resistência ao manejo e menor agressividade defensiva durante os procedimentos. O contato humano adequado também gera respostas químicas positivas no organismo dos pets. “A interação libera ocitocina, dopamina e endorfina, hormônios ligados às sensações de segurança, prazer e relaxamento, além de reduzir o cortisol, relacionado ao estresse”, explica Yan.
O veterinário ressalta, no entanto, que a abordagem deve ser diferente para cães e gatos. Enquanto os cães geralmente buscam mais contato físico e brincadeiras, os gatos precisam de um manejo mais calmo e respeitoso, conhecido como “cat friendly”. Por fim, o especialista alerta que os profissionais devem estar atentos aos sinais de desconforto, como postura rígida, pupilas dilatadas, rosnados e tentativas de fuga. “Os funcionários precisam respeitar os limites do pet e evitar interações quando ele já estiver muito estressado”, completa.



