Uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), campus de Floriano, resultou na descoberta de fósseis de uma preguiça-gigante que viveu há aproximadamente 33 mil anos no município de Arraial, localizado no Centro-Norte do estado. O achado é considerado incomum para essa região e contribui para uma melhor compreensão do ambiente passado no Piauí.
Detalhes da descoberta
O estudo analisou fósseis da espécie Eremotherium laurillardi, um animal de grande porte que habitou as Américas há milhares de anos. No Piauí, registros desse tipo são mais comuns no sudeste do estado, especialmente na região da Serra da Capivara. A descoberta faz parte da dissertação de mestrado da pesquisadora Mariana Miranda de Sousa, orientada pelo professor Daniel Fortier, no campus de Floriano.
Segundo a pesquisadora, o registro no centro-norte do estado levanta novas questões sobre a distribuição geográfica desses animais. A presença da espécie em uma área pouco estudada sugere que ela pode ter ocupado mais regiões do estado do que se imaginava anteriormente.
Contribuição da comunidade local
Um dos fatores que mais contribuíram para a pesquisa foi um osso encontrado por um morador da região. Ele guardava o material em casa e decidiu entregá-lo à prefeitura após saber das buscas realizadas pelos pesquisadores. Ao final do processo, o fóssil foi devolvido ao município e passou a fazer parte do acervo do museu local.
Análises e resultados
Para chegar aos resultados, o estudo analisou a idade do fóssil e também pistas sobre a alimentação e o ambiente em que o animal vivia. Parte das análises foi realizada em uma universidade nos Estados Unidos. Os resultados indicaram que o animal tinha uma dieta rica em plantas e vivia em um ambiente mais frio e úmido do que o atual, com maior disponibilidade de água.
O estudo também utilizou ferramentas para estimar em quais regiões a espécie poderia ter vivido ao longo do tempo, com base em condições ambientais. De acordo com o orientador do trabalho, a pesquisa ajuda a ampliar o conhecimento sobre os animais de grande porte que viveram no Nordeste e preenche lacunas sobre a presença dessas espécies no centro-norte do Piauí.



