A operadora Vivo, do grupo espanhol Telefónica, reafirmou sua posição de destaque em sustentabilidade corporativa ao liderar a nova carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 e figurar, pelo segundo ano consecutivo, no Dow Jones Best-in-Class World Index. Em um cenário onde critérios ESG ganham relevância entre investidores, mas também enfrentam questionamentos sobre consistência e impacto real, a companhia se destaca por suas práticas ambientais, sociais e de governança.
Liderança no mercado brasileiro
Divulgado nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, o ISE reúne 69 empresas listadas e serve como referência para investidores focados em sustentabilidade. A Vivo ocupa a primeira posição geral, superando companhias de diversos setores, repetindo um desempenho alcançado em ocasiões anteriores desde que entrou no índice, em 2010. Esse resultado ocorre em um contexto de crescente pressão sobre empresas de capital aberto para demonstrar avanços mensuráveis em sustentabilidade. Gestores de recursos e fundos institucionais passaram a exigir metas mais claras de descarbonização, diversidade e transparência, elevando a concorrência dentro do próprio índice.
Clima e descarbonização como prioridade
A estratégia ambiental da operadora tem como principal eixo a redução de emissões. Segundo dados da empresa, as emissões diretas de gases de efeito estufa caíram 91% em uma década. A meta agora é alcançar a neutralidade de carbono até 2035. Parte desse esforço depende da cadeia de fornecedores: a companhia afirma que cerca de 90% dos parceiros mais intensivos em carbono já aderiram a iniciativas de descarbonização, alinhando-se a uma tendência global de responsabilização indireta por emissões de terceiros. Além disso, a Vivo investe em economia circular, com programas de coleta e reaproveitamento de eletrônicos, e anunciou projetos de preservação ambiental na Amazônia, em áreas entre Maranhão e Pará.
Diversidade e impacto social
No campo social, a empresa destaca políticas de diversidade racial e de gênero, com metas específicas em programas de trainee e estágio. Dados divulgados indicam aumento da presença de pessoas negras em cargos de liderança e maior participação feminina em posições executivas e no conselho. Embora essas políticas sejam comuns entre grandes empresas, analistas monitoram a evolução consistente ao longo do tempo e o impacto além dos números internos. A atuação social também inclui investimentos em educação pública por meio da Fundação Telefônica Vivo, com foco na formação digital de estudantes e professores.
Governança e remuneração vinculada a ESG
Na governança, a Vivo segue práticas difundidas entre grandes companhias listadas, como vincular parte da remuneração de executivos ao cumprimento de metas ESG. O conselho de administração é majoritariamente composto por membros independentes, outro critério valorizado por investidores. Especialistas apontam que esses mecanismos ganharão ainda mais relevância com o avanço de regulações internacionais, especialmente na Europa, pressionando multinacionais e subsidiárias a adotar padrões mais rigorosos.
Reconhecimento internacional e desafios de credibilidade
A presença no Dow Jones Best-in-Class World Index coloca a Vivo entre um grupo seleto de empresas avaliadas globalmente em critérios ESG. A pontuação divulgada, próxima do máximo possível, reforça o desempenho em métricas padronizadas. No entanto, índices de sustentabilidade também são alvo de críticas. Parte do mercado questiona a comparabilidade entre setores e a dependência de informações fornecidas pelas próprias empresas, levantando dúvidas sobre greenwashing. Nesse cenário, a liderança em rankings como o ISE e a inclusão em índices globais funcionam tanto como selo de qualidade quanto como ponto de escrutínio crescente. Para a Vivo, o desafio é sustentar os indicadores no longo prazo e demonstrar impacto concreto além dos relatórios.



