Segunda safra no Tocantins mantém estabilidade, mas clima e custos pressionam produtores
Segunda safra no Tocantins: estabilidade com pressão climática e de custos

Segunda safra no Tocantins mantém cenário estável, mas clima é fator decisivo

O andamento da segunda safra no estado do Tocantins segue dentro de um cenário considerado estável, porém ainda extremamente dependente do comportamento climático nas próximas semanas. Após atrasos significativos no calendário agrícola provocados pelo excesso de chuvas durante a safra de soja, o ciclo atual apresenta mudanças importantes na configuração das lavouras, com uma notável redução da área plantada de milho e um avanço expressivo de culturas alternativas.

Mudanças na configuração das lavouras e dados da Conab

O contexto da safra 2025/2026 reforça esse cenário de transformação. Dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgados em janeiro, apontam uma área estimada de 1,6 milhão de hectares no estado, representando um crescimento de aproximadamente 6,7% em relação ao ciclo agrícola anterior. A expectativa dos órgãos oficiais é de uma produção de 5,75 milhões de toneladas de soja, contribuindo decisivamente para que o volume total de grãos ultrapasse a marca de 9,6 milhões de toneladas no território tocantinense.

Apesar do desempenho positivo projetado para a produção geral, o atraso na colheita da soja impactou diretamente o início da segunda safra, especialmente o milho safrinha, que depende tradicionalmente de uma janela de plantio mais restrita e definida. De acordo com o vice-presidente da Aprosoja Tocantins, Thiago Facco, o desenvolvimento das lavouras até o momento está dentro da normalidade agronômica, mas com mudanças estratégicas significativas por parte dos produtores rurais.

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Diversificação como estratégia para reduzir riscos

“A segunda safra vem se desenvolvendo bem, dentro de uma normalidade esperada. O que mudou de forma substancial foi a área destinada, principalmente do milho, com uma migração expressiva para culturas como gergelim, sorgo e feijão, em função direta do atraso no plantio”, afirma Thiago Facco. Com o avanço do calendário agrícola, parte considerável das áreas tradicionalmente destinadas ao milho foi substituída por culturas de ciclo mais curto, consideradas mais seguras diante do risco climático elevado.

Essa diversificação intencional tem sido uma alternativa viável para garantir a continuidade da produção e alguma geração de receita no período da safrinha. “O plantio do milho avançou para março em algumas áreas específicas, o que aumenta consideravelmente o risco para a safrinha. Por isso, culturas como gergelim, sorgo e feijão ganham espaço estratégico, porque conseguem se desenvolver melhor mesmo com menor volume de chuvas no final do ciclo”, explica o consultor agrônomo Luiz Villa, especialista na região.

Pressão econômica e custos de produção elevados

Além do fator climático crucial, o cenário econômico nacional também influencia diretamente as decisões tomadas no campo. O custo de produção elevado, especialmente na cultura da soja, tem pressionado o fluxo financeiro dos produtores e reduzido drasticamente a margem disponível para investimentos na segunda safra. “O custo de produção está entre os mais apertados dos últimos anos, o que aumenta exponencialmente o risco da atividade agrícola. E, além disso, os preços das culturas típicas da segunda safra estão achatados, sem perspectiva clara de reação no curto prazo”, pontua o consultor Luiz Villa.

Na prática operacional, isso significa que, mesmo com uma produção considerada razoável do ponto de vista quantitativo, a rentabilidade financeira deve ser limitada. Parte dos produtores que conseguiu travar preços futuros ou se posicionar antecipadamente no mercado de commodities pode garantir uma cobertura básica de custos, mas a grande maioria enfrenta margens reduzidas e incertezas.

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Clima nas próximas semanas como fator decisivo

Outro ponto de atenção crítica é o comportamento do clima nas próximas semanas. O mês de abril e o início de maio são considerados decisivos para a consolidação final da segunda safra no estado. “A gente ainda depende fundamentalmente do comportamento do clima. Existe previsão de chuvas regulares para abril e parte de maio, o que pode garantir uma produção dentro da média histórica. Mas ainda é cedo para uma definição mais precisa e segura”, afirma Thiago Facco, da Aprosoja Tocantins.

Do ponto de vista técnico e agronômico, o planejamento detalhado segue como fator determinante para a viabilidade econômica da safrinha. A janela ideal de plantio do milho, tradicionalmente concentrada até o mês de fevereiro, continua sendo um dos principais limitadores de produtividade na região. “Quando o plantio sai dessa janela ideal, o risco climático aumenta muito. A produtividade tende a cair e, com os custos operacionais atuais, isso compromete diretamente a viabilidade econômica de toda a operação”, reforça o consultor Luiz Villa.

Cenário geral de adaptação e estratégia no campo

De forma geral e abrangente, a segunda safra no Tocantins reflete um cenário claro de adaptação e resiliência por parte dos produtores rurais. Com um clima ainda incerto, custos de produção elevados e preços de commodities pressionados, o agricultor tocantinense tem buscado alternativas criativas para manter a sustentabilidade da atividade agrícola, com maior diversificação de culturas e decisões cada vez mais estratégicas e calculadas no campo. A estabilidade atual é, portanto, relativa e vigilante, aguardando as definições climáticas e de mercado das próximas semanas.