O Brasil está a caminho de fechar o ano de 2025 com a maior safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de sua história. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção deve atingir a marca inédita de 346,1 milhões de toneladas.
Recorde Histórico e Crescimento Expressivo
O resultado representa um salto significativo de 18,2% em comparação com o total de 2024, que foi de 292,7 milhões de toneladas. Os dados, calculados em dezembro de 2025, foram divulgados nesta quinta-feira, 15 de janeiro de 2026.
A tríade formada por soja, milho e arroz continua sendo a base da produção nacional. Juntos, esses três produtos responderão por 92,7% da estimativa total de colheita e ocuparão 87,9% da área plantada.
Destaques da Safra Recorde
Dentro desse cenário positivo, alguns cultivos se destacam com performances excepcionais:
- Soja: A estimativa é de uma produção de 166,1 milhões de toneladas, também um recorde histórico, com alta de 14,6% frente a 2024.
- Milho: A previsão aponta para 141,7 milhões de toneladas, outro recorde, representando um crescimento expressivo de 23,6%.
- Algodão herbáceo (em caroço): Atingirá 9,9 milhões de toneladas, um aumento de 11,4%.
Outras culturas também apresentam bom desempenho. A produção de arroz em casca está estimada em 12,7 milhões de toneladas (alta de 19,4%), a de trigo em 7,8 milhões (crescimento de 3,7%) e a de sorgo em 5,4 milhões de toneladas, com um incremento notável de 35,5%.
Perspectiva para 2026: Leve Recuo na Produção
Apesar do otimismo para 2025, a primeira projeção do IBGE para 2026 indica um pequeno ajuste. A expectativa é que a safra do ano que vem totalize 339,8 milhões de toneladas.
Esse volume representa um declínio de 1,8% (ou 6,3 milhões de toneladas) em relação ao recorde previsto para 2025. É importante notar que esta é a terceira estimativa divulgada para 2026 e, mesmo prevendo uma queda, ela é 1,2% maior (4,2 milhões de toneladas) do que a previsão anterior, de dezembro de 2024.
Para a safra de 2026, o IBGE informou que passou a incluir em seus cálculos a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando relevância no campo, ainda que seu cultivo permaneça concentrado em poucos estados.
Motivos para a Queda Estimada em 2026
O recuo projetado para o próximo ano se deve, principalmente, a expectativas de menor produção em algumas culturas-chave:
- Milho: queda de 6% (-8,5 milhões de toneladas)
- Sorgo: redução de 13% (-700,2 mil toneladas)
- Arroz: declínio de 8% (-1 milhão de toneladas)
- Algodão herbáceo: baixa de 10,5% (-632,7 mil toneladas)
- Trigo: recuo de 1,6% (-128,4 mil toneladas)
Por outro lado, a soja deve seguir na contramão e apresentar crescimento de 2,5%, o que equivale a mais 4,2 milhões de toneladas. A primeira safra de feijão também tem previsão positiva, com alta de 3,1%, chegando a 30,1 mil toneladas.
Os números consolidam o agronegócio como um dos pilares da economia brasileira, mesmo diante de projeções de normalização após um ano excepcional como o de 2025.