Exportações de suco de laranja demonstram recuperação em janeiro com forte demanda europeia
As exportações brasileiras de suco de laranja apresentaram sinais positivos de reação no primeiro mês de 2026, após um período de embarques abaixo do volume registrado na temporada anterior. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", campus da USP em Piracicaba (SP), o cenário se explica principalmente pelo reaquecimento da demanda da União Europeia, tradicionalmente o principal destino da commodity brasileira.
Alta expressiva nos embarques para o bloco europeu
No primeiro mês do ano, os envios de suco de laranja concentrado especificamente ao bloco europeu somaram 50,3 mil toneladas, volume que representa um aumento de 55% em relação a janeiro de 2025 e também o maior da atual temporada. A recuperação dos embarques à União Europeia era bastante aguardada pelo setor exportador nacional, que enfrentava um cenário desafiador.
No acumulado da safra 2025/26, os embarques brasileiros de suco de laranja concentrado a todos os destinos (66° brix) totalizam 495 mil toneladas, ficando 4,6% abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior. Essa queda anterior torna a recuperação recente ainda mais significativa para o setor citrícola brasileiro.
Mercado interno caminha para encerramento da moagem
No mercado doméstico, as indústrias caminham para o encerramento da moagem da safra atual. "Assim, pouca fruta tem sido adquirida no spot e apenas alguns últimos contratos são recebidos", indicam estudos do Cepea. Essa transição entre safras cria um momento particular no mercado interno, com redução nas transações à vista.
Chuvas torrenciais impactam qualidade e preços das frutas
As chuvas intensas que atingiram todo o interior paulista durante o mês de janeiro afetaram significativamente o mercado da citricultura no cinturão produtor. Parte da produção destinada à indústria pode ser perdida, e a queda na qualidade das frutas cítricas também deve interferir nas cotações, fazendo o mercado spot paulista se conter.
"A umidade excessiva elevou a incidência de podridões e de fungos nos pomares. Parte da produção destinada à indústria acaba sendo perdida, enquanto outra parcela chega ao mercado com padrão inferior, o que amplia a pressão sobre as cotações em um ambiente já caracterizado por oferta elevada", explica o Centro de Pesquisas.
Os preços com pagamento a prazo já começam a apresentar leve queda de quase 2% na segunda quinzena de janeiro. A caixa de 40 quilos da laranja-pera in natura fechou a R$ 43 no dia 12 de janeiro e caiu para R$ 41 no último dia 30 do mês.
Volumes pluviométricos expressivos em regiões produtoras
O volume de chuva registrado no dia 29 de janeiro de 2026 foi de 55 milímetros em Limeira, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), concentrado principalmente durante a noite em apenas duas horas de temporal. Em Piracicaba, o volume foi ainda maior: 65 milímetros em duas horas no mesmo dia.
Segundo dados mais recentes divulgados, o mercado citrícola paulista deverá sentir os efeitos dos altos volumes de chuvas nas regiões produtoras, incluindo a cidade de Limeira (SP), especialmente para a laranja de mesa selecionada para consumo direto da casca, in natura.
"O recebimento de frutas no spot permanece mais contido, com indústrias concentradas no cumprimento dos últimos contratos e no processamento de fruta própria", acrescentou a análise do Cepea.
Combate ao greening recebe reforço com novo centro de pesquisa
Paralelamente aos desafios climáticos, o combate ao greening, considerada a praga mais destrutiva das plantações de laranja no Brasil e no mundo, recebeu um importante reforço com a criação do Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA Citros).
Resultado de uma parceria público-privada que congrega universidades de diferentes países, fundações, demais órgãos do setor e governo do estado de São Paulo, o convênio prevê R$ 90 milhões a serem aplicados em cinco anos de pesquisa, transferência de tecnologia e educação.
O acordo foi formalizado na Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq), campus da USP em Piracicaba (SP), e interliga 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países: Brasil, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália.
Greening continua afetando regiões produtoras
Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) revelou que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024. A incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38% em relação a 2023.
Os prejuízos nos pomares causados pelo greening, combinados com fatores climáticos como as altas temperaturas, têm impacto direto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor final, criando um cenário complexo para toda a cadeia produtiva da citricultura brasileira.



