Chuvas intensas em SP afetam qualidade da laranja e pressionam preços pagos pela indústria
Chuvas em SP afetam laranja e pressionam preços da indústria

Chuvas intensas no interior paulista afetam mercado da laranja e pressionam preços

As chuvas intensas que atingiram todo o interior paulista durante o mês de janeiro tiveram um impacto significativo no mercado da citricultura, especialmente no cinturão produtor de laranjas. A análise é do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", o campus da USP em Piracicaba (SP).

Umidade excessiva eleva incidência de podridões e fungos nos pomares

Segundo o Cepea, a umidade excessiva elevou a incidência de podridões e de fungos nos pomares, o que comprometeu parte da produção destinada à indústria. "Parte da produção destinada à indústria acaba sendo perdida, enquanto outra parcela chega ao mercado com padrão inferior, o que amplia a pressão sobre as cotações em um ambiente já caracterizado por oferta elevada", explica o Centro de Pesquisas.

Essa queda na qualidade das frutas cítricas também deve interferir nas cotações, fazendo o mercado spot paulista, que envolve pagamento à vista e entrega imediata, se conter. Dados mais recentes, divulgados nesta sexta-feira (30), indicam que o mercado citrícola paulista sentirá os efeitos dos altos volumes de chuvas nas regiões produtoras, incluindo a cidade de Limeira (SP), especialmente para a laranja de mesa, selecionada para consumo direto in natura.

Preços começam a apresentar leve queda no mercado a prazo

"O recebimento de frutas no spot permanece mais contido, com indústrias concentradas no cumprimento dos últimos contratos e no processamento de fruta própria", acrescentou o Cepea. Os preços, com pagamento a prazo, já começam a apresentar leve queda, de quase 2%, na segunda quinzena de janeiro.

As cotações específicas mostram que a caixa de 40 quilos da laranja pera in natura fechou a R$ 43 no dia 12 de janeiro e caiu para R$ 41 no último dia 30 do mês, refletindo a pressão sobre os valores devido às condições climáticas adversas.

Contexto do combate ao greening na citricultura paulista

Paralelamente, o combate ao greening, a praga mais destrutiva às plantações de laranja no Brasil e no mundo, continua sendo uma prioridade. Um convênio formalizado recentemente na Esalq em Piracicaba prevê R$ 90 milhões a serem aplicados em cinco anos de pesquisa, transferência de tecnologia e educação para enfrentar essa doença.

O greening, causado por uma bactéria transmitida pelo inseto psilídeo, tem afetado os pomares da citricultura brasileira desde 2004, com a região de Limeira (SP) sendo a mais impactada no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024, segundo levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).

Esses fatores combinados – chuvas intensas e a presença do greening – contribuem para um cenário desafiador no setor citrícola, influenciando tanto a produção quanto os preços finais para a indústria e os consumidores.