O cenário do agronegócio brasileiro, tradicional pilar da economia, está passando por uma significativa transformação geracional. Cada vez mais, jovens estão assumindo a liderança de propriedades e negócios rurais, trazendo consigo uma nova mentalidade e, principalmente, a adoção de tecnologia. Um exemplo emblemático dessa mudança é a trajetória do agricultor André Cossin, de apenas 20 anos, que já soma quatro anos de atuação no setor.
Da Infância no Sítio ao Empreendimento Próprio
A conexão de André com a terra começou cedo. Nascido e criado no sítio da família, em Monte Alto, no interior de São Paulo, ele sempre acompanhou o trabalho do pai. Aos 16 anos, após uma conversa com o progenitor, tomou a decisão de abrir sua própria empresa agrícola. O negócio foi formalizado em setembro de 2021 e permanece ativo, mostrando a determinação do jovem empreendedor.
"Eu queria ter tudo igual meu pai. Quando criança, tudo o que ele fazia, eu queria fazer também", relembra André. O apoio familiar foi crucial: o pai cedeu um pequeno terreno onde o filho pôde aprender na prática, plantando feijão e outros cultivos, despertando assim sua paixão pela agricultura.
Produção em Grande Escala e Busca por Conhecimento
Atualmente, a propriedade de André Cossin é especializada na produção de tomate e batata. A colheita anual chega a aproximadamente 400 toneladas de tomate rasteiro e outras 170 toneladas de batata. Mas sua ambição vai além dos números atuais. "Meu sonho é fazer isso daqui crescer. Pelo menos esse pedacinho eu quero, quando eu estiver lá na frente, falar: não, isso foi onde começou tudo", projeta.
Para alcançar seus objetivos, o jovem investe pesado em sua formação. Ele já concluiu um curso técnico agrícola e, atualmente, cursa Agronomia na Unesp de Jaboticabal. Para André, a busca constante por aprendizado é um pilar do crescimento profissional. "Sempre em busca de conhecimento, nunca parado", afirma, destacando o valor do diálogo com professores e a imersão no ambiente acadêmico.
O Agro Brasileiro Está Mais Jovem
A história de André não é um caso isolado. Ela ilustra uma tendência nacional. Dados da consultoria Fruto Agrointeligência revelam que a média de idade dos produtores rurais no Brasil é de cerca de 46 anos, uma das mais baixas do mundo. Para comparação, nos Estados Unidos a média é de 58 anos e na Europa se aproxima dos 60.
Alguns cultivos já são dominados por perfis mais jovens. Segundo o levantamento:
- 60% dos produtores de algodão têm menos de 35 anos.
- Entre os agricultores do Cerrado, esse índice é de 44%.
- 40% dos horticultores também estão nessa faixa etária.
Para o economista José Carlos de Lima Júnior, esse movimento está diretamente ligado à evolução tecnológica do setor e ao interesse da nova geração por áreas que exigem qualificação. "O agronegócio é formado por muita tecnologia. Os jovens estão percebendo essas oportunidades", analisa.
Ele ressalta que o momento atual exige inovação: "Aquilo que nos trouxe até aqui, a gente precisa agora levar daqui para frente com as novas tecnologias, com um novo jeito de fazer negócio. É aí que entra o jovem, de pegar aquilo que a geração anterior fez e dar sequência, pensando em inteligência artificial, pensando em tecnologias, inovação e mercado globalizado".
A combinação de tradição familiar, empreendedorismo precoce e aposta em educação e tecnologia está redesenhando o perfil do campo brasileiro. Jovens como André Cossin personificam essa renovação, garantindo que o agronegócio continue como um setor dinâmico e vital para o futuro do país.