Delegada Monah Zein é demitida da Polícia Civil de Minas Gerais após processo disciplinar
A delegada Monah Zein foi oficialmente demitida da Polícia Civil de Minas Gerais, conforme publicação realizada no Diário Oficial do Estado nesta sexta-feira (13). A decisão ocorre após a conclusão de um processo administrativo conduzido pela Corregedoria-Geral da instituição, que constatou transgressões disciplinares por parte da profissional.
Processo administrativo e fundamentos da demissão
De acordo com informações da Polícia Civil, o processo administrativo investigou possíveis infrações funcionais cometidas por Monah Zein, com destaque para a suspeita de abandono de cargo. A Corregedoria apurou que a delegada não retornou ao trabalho e também deixou de comparecer a perícias médicas convocadas pela instituição, fatos que contribuíram decisivamente para a medida de desligamento.
Paralelamente, um recurso em segunda instância foi recebido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais nesta mesma sexta-feira e encaminhado ao desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama, que atuará como relator do caso.
Contexto do episódio que gerou repercussão
O caso que antecedeu a demissão ocorreu em 21 de novembro de 2023, quando equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foram até o apartamento da delegada, localizado na região da Pampulha em Belo Horizonte, para verificar seu estado emocional após mensagens consideradas preocupantes em um grupo de WhatsApp.
Durante a abordagem, segundo relatos policiais, Monah Zein estava armada com uma pistola e efetuou disparos contra quatro policiais civis. Enquanto os agentes estavam no prédio, ela realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Após os tiros, a delegada se refugiou dentro do apartamento e foi presa em flagrante quase dois dias depois, obtendo posteriormente liberdade provisória.
Trajetória profissional e desdobramentos judiciais
Monah Zein concluiu o curso de Direito em 2006 pela Universidade Tuiuti do Paraná e foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados do Brasil em 2008, exercendo a advocacia antes de ingressar na carreira policial através de concurso público.
Em agosto de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou a delegada por tentativa de homicídio e resistência. No entanto, em julho de 2025, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza entendeu que não havia provas suficientes de intenção de matar, classificando os disparos como um "ato intimidatório" ou reflexo de estado emocional alterado. Com essa avaliação, o caso foi encaminhado para uma vara criminal comum, afastando a análise pelo Tribunal do Júri.
A defesa da delegada e a Polícia Civil foram procuradas para comentar a decisão de demissão, mas não se manifestaram até o momento da publicação desta reportagem.
