Samarco investe R$ 13,8 bilhões para retomar 100% da produção até 2028 sem barragens
A Samarco, mineradora que passou por um grave acidente com a barragem de Fundão, está consolidando uma estratégia de "fazer diferente" ao anunciar investimentos de R$ 13,8 bilhões, o maior de sua história. O objetivo é atingir 100% da capacidade produtiva instalada até 2028, sem o uso de barragens de rejeitos, adotando um modelo mais seguro e sustentável. Desde a retomada das atividades em 2020, com 26% da capacidade, a empresa já alcançou 60% em 2024, mantendo o compromisso com a segurança e o meio ambiente.
Novo modelo de mineração e segurança operacional
Sérgio Mileipe, diretor de Operações da Samarco, explica que a segurança vai além da eliminação das barragens, envolvendo filtragem e empilhamento a seco do rejeito. "Aprendemos com o passado e assumimos nossas responsabilidades", afirma. As ações preparatórias para a terceira fase estão avançadas, incluindo conservação de ativos, engenharia detalhada e planejamento de desmontagens. A retomada foi dividida em três momentos: o primeiro revitalizou estruturas de 2014, o segundo de 2008, e o terceiro, com investimento seis vezes maior, revitalizará a planta original de 1977.
Impacto econômico e geração de empregos
Os investimentos projetam um novo momento econômico, com geração de até 12,9 mil empregos no pico das obras. A Samarco já registrou recorde operacional em 2025, produzindo 15,11 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério, posicionando-se como terceira maior exportadora no mercado transoceânico. Com a retomada total, a expectativa é chegar a 26/27 milhões de toneladas anuais até 2029, tornando-se a segunda maior exportadora. Gustavo Selayzim, diretor Financeiro, destaca que o projeto fortalece a competitividade e sustentabilidade financeira, além de contribuir para a reparação dos danos do rompimento da barragem.
Reparação ambiental e responsabilidade social
Paralelamente às mudanças operacionais, a Samarco segue com ações de reparação, impulsionadas pelo Novo Acordo do Rio Doce. A expectativa é que a retomada ajude a financiar a reparação definitiva, estimada em R$ 170 bilhões. A empresa prioriza a contratação de profissionais locais e grupos minorizados, como mulheres e pessoas com deficiência, além de oferecer cursos de capacitação nas comunidades de Minas Gerais e Espírito Santo. Em 2025, os tributos gerados chegaram a R$ 2,28 bilhões, beneficiando estados e a União.
Detalhes dos momentos de retomada
- Momento 1: Investimento de cerca de R$ 650 milhões, revitalização do Concentrador 3 e construção do Sistema de Filtragem 1, atingindo 26% da capacidade.
- Momento 2: Investimento de R$ 1,6 bilhão, revitalização do Concentrador 2 e Usina de Pelotização 3, alcançando 60% da capacidade.
- Momento 3: Investimento de R$ 13,8 bilhões, revitalização do Concentrador 1 e Usinas de Pelotização 1 e 2, com demolição e reconstrução de estruturas antigas para modernização, visando 100% da capacidade em 2028/2029.
Todo o processo é pautado por rigorosos padrões de engenharia e governança, com todas as licenças ambientais necessárias, reforçando o compromisso da Samarco com um futuro mais seguro e sustentável.
