Fim do tarifaço de Trump traz alívio a exportadores brasileiros
"Voltamos para o jogo". É assim que o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, descreve o cenário após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou o tarifaço sobre quase metade dos produtos brasileiros. A medida, anunciada na sexta-feira (20), entrou em vigor nesta terça-feira (24), marcando um ponto de virada para setores que enfrentavam sobretaxas de até 50%.
Nova realidade tarifária
Horas após a decisão judicial, o presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa global de 10% sobre diversos produtos, elevada para 15% no dia seguinte. Esta nova alíquota também passa a valer a partir desta terça-feira. Importantes produtos de exportação brasileira como carne bovina e café em grão já estavam isentos desde o final do ano passado, mas setores como café solúvel, mel, frutas e pescados continuavam sofrendo com as sobretaxas.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, explica que a situação anterior colocava o Brasil em desvantagem competitiva. "Agora é 15% para o mel de todos os países. E se é para todo mundo, não tem problema, porque o nosso mel é muito competitivo", afirma com otimismo.
Impactos setoriais específicos
Exportadores de mel: A apicultura brasileira, composta majoritariamente por pequenos produtores, enfrentou graves problemas após o tarifaço. Azevedo relata que "houve um grave problema de escoamento e desvalorização do mel no campo", com muitos produtores operando no prejuízo. Com cerca de 80% das exportações destinadas aos EUA, a retomada deste mercado é crucial. As empresas do setor já retomaram conversas com clientes americanos e esperam reativar contratos a partir de março.
Setor de pescados: A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) mostra-se otimista com a redução da tarifa de 50% para 15%. Durante o período de sobretaxa, o setor perdeu contratos internacionais, reduziu produção e cortou postos de trabalho. A expectativa é de recuperação de mais de 5 mil empregos e retomada do crescimento ao longo de 2026, com exportações podendo alcançar US$ 600 milhões.
Café solúvel: Para a indústria de café solúvel, a derrubada do tarifaço representa um alívio após seis meses consecutivos de perdas. Lima explica que "o volume das exportações caiu 50%" durante o período de sobretaxa, com contratos sendo reduzidos ou rompidos. Com a nova tarifa global de 15%, o Brasil retorna a condições de igualdade competitiva com outros exportadores como México, Colômbia e Vietnã.
Frutas em transição
As frutas brasileiras mais exportadas para os EUA - manga e uva - enfrentam situações distintas. Enquanto a manga, que já estava isenta, retorna à tarifa de 15%, a uva, que sofria com sobretaxa de 50%, terá sua taxação reduzida para o patamar global. A uva foi o produto mais prejudicado pelo tarifaço, com redução de 73% no volume exportado em 2025. Produtores e distribuidores aguardam maior estabilidade antes de retomar contratos.
Apesar dos desafios, o cenário geral é de otimismo entre os exportadores brasileiros. A equalização das tarifas coloca o Brasil em condições competitivas mais justas no mercado internacional, permitindo que produtos como o mel orgânico brasileiro e a tilápia recuperem espaço no mercado americano.



