Brasil negocia com China solução para cotas de carne bovina e setor mantém otimismo
Brasil negocia com China sobre cotas de carne bovina

Brasil busca solução para cotas chinesas de carne bovina enquanto setor mantém otimismo

O governo brasileiro está em negociações ativas para encontrar uma solução diante das proteções impostas pela China às importações de carne bovina. Mesmo com o cenário desafiador apresentado pela cota anual de venda da commodity para o país asiático, principal destino das embarcações brasileiras, o mercado pecuário nacional tem motivos para manter o otimismo, embora precise adotar uma postura estratégica.

Recorde histórico em janeiro

O setor registrou o maior volume de carne bovina escoado à China para um mês de janeiro na história. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Brasil, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), demonstram que o volume total de carne bovina exportado pelo Brasil em janeiro somou impressionantes 258,94 mil toneladas. Este é um recorde absoluto para o mês, superando o até então melhor início de ano, registrado em 2025.

A China foi destino de 46,3% do total escoado pelo Brasil em janeiro, porcentagem próxima da média de 2025, que foi de 47,67%. Apenas em janeiro de 2026, mês em que foram impostos os limites de importação, já foram enviados ao país asiático 119,63 mil toneladas.

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O que dizem os pesquisadores

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP) apontam que "se o ritmo de embarques verificado em janeiro para a China seja mantido, o Brasil deve completar sua cota em setembro". O principal indício é a crescente procura pela proteína brasileira desde o ano passado, conforme análises e consultas feitas com agentes do setor.

Em boletim mais recente do setor, divulgado na última sexta-feira (12), os pesquisadores do Cepea lembram que a cota brasileira para a China é de 1,106 milhão de toneladas para o ano. "A demanda externa pela carne bovina brasileira seguirá em crescimento, mesmo nesse cenário desafiador", ressalta o centro de estudos.

Entendendo as cotas chinesas

Em janeiro, o Brasil, que é o maior fornecedor de carne para a China, foi incluído na lista de países exportadores da proteína com limite de volume a ser vendido para o país asiático. A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para 2026. Esta é a quantidade máxima de carne brasileira que empresas chinesas podem comprar neste ano, pagando a mesma taxa de importação que era cobrada antes, de 12%.

O que acontece se o Brasil desrespeitar o limite? Qualquer volume que exceder essa cota terá uma taxa extra significativa, de 55%, o que impactaria diretamente a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.

Preocupação do governo brasileiro

O Ministério da Agricultura discute com outros órgãos do governo federal a criação de um sistema para controlar o volume de carne que frigoríficos brasileiros podem exportar para a China. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Luis Rua.

O receio do Ministério da Agricultura é de que a cota cause uma "corrida desenfreada" de exportações: uma competição desigual entre as empresas, com alguns frigoríficos exportando mais que outros, o que poderia desestabilizar o mercado interno e as relações comerciais com a China.

Cenário de preços e perspectivas

As cotações do boi gordo e da carne, segundo o Centro de Pesquisas, têm se mantido em crescimento. Levantamentos do Cepea mostram que os preços do boi, da vaca, novilha e reposição seguem firmes. O valor do indicador Cepea/Esalq-USP do boi gordo, arroba de 15kg fechou em R$ 337,20 em 9 de fevereiro de 2026. Quatro dias depois, passou para 344,05, uma alta de mais de 2%, segundo boletim do Cepea.

O cenário, portanto, é de cautela otimista. Enquanto o governo brasileiro negocia com a China para encontrar soluções que beneficiem ambos os países, o setor pecuário nacional demonstra resiliência e capacidade de adaptação, mantendo níveis recordes de exportação mesmo diante de novas regulamentações internacionais.

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