Estudo do governo aponta viabilidade de transposição do Rio São Francisco para o Piauí
Transposição do São Francisco para o Piauí tem estudo de viabilidade

Estudo federal avalia transposição do Rio São Francisco para o Piauí

Um estudo de Viabilidade Técnica, Econômica, Ambiental e Social (Evtea) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, apresentado nesta terça-feira (25), indica a possibilidade de transposição do Rio São Francisco para cidades do semiárido do Piauí. O estudo, iniciado em outubro de 2025 e com previsão de conclusão para novembro de 2026, traz análises preliminares sobre a transferência de água entre bacias hidrográficas.

Benefícios diretos para o semiárido

Segundo Giuseppe Serra Seca Vieira, secretário Nacional de Segurança Hídrica do Ministério, o estudo inicial já aponta benefícios significativos. "Hoje, nós iremos trazer um primeiro produto desse estudo para o conhecimento da sociedade, que é muito importante, que é a confirmação da necessidade da intervenção, já com alguns cenários para onde a obra irá percorrer", explicou o secretário.

O projeto tem potencial para atender diretamente 24 municípios e mais de 100 indiretamente, beneficiando uma população estimada em 600 mil pessoas na região semiárida. A transposição consiste na transferência de água de uma bacia hidrográfica para outra, geralmente com o objetivo de suprir regiões com escassez hídrica.

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Próximas etapas e desafios políticos

Após a conclusão do estudo, outras etapas serão necessárias para a realização da obra. "Aí a gente já começa a discussão junto ao órgão ambiental para a parte do licenciamento ambiental e também o desdobramento do estudo que vai ser a contratação do anteprojeto. Com ele em mãos, a gente já consegue até fazer uma licitação para uma contratação integrada", completou Giuseppe. O orçamento para a obra será estimado apenas com a finalização do estudo inicial.

O deputado estadual Franzé Silva (PT), que já requereu uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) sobre o tema, destacou a necessidade de mobilização política. "Depende muito da força política. Nós teremos que fazer uma grande mobilização, com governador, senadores, deputados estaduais e federais, vereadores e prefeitos para a inclusão no orçamento desse ano para execução no ano seguinte", afirmou o parlamentar.

Franzé Silva ressaltou ainda que o Piauí está atrasado na discussão sobre disponibilidade de água e que a continuidade do projeto é fundamental para seu sucesso.

Contexto hídrico e outras iniciativas

Enquanto isso, o Ministério Público Federal (MPF) tem cobrado a execução da obra do Sistema Adutor do Sertão, que atenderá 51 cidades com água dos poços jorrantes de Cristino Castro. Há preocupação com possível desperdício de recursos, uma vez que verbas já foram liberadas para essa adutora.

Municípios como Simões enfrentam forte estiagem, com 95% dos reservatórios secos, destacando a urgência de soluções hídricas. O governo deve realizar audiências públicas em 24 cidades do Piauí que serão beneficiadas pela transposição, incluindo Fartura do Piauí e Marcolândia, que também sofrem com falta de água.

Municípios potencialmente beneficiados

Estudos preliminares indicam que a transposição deve atender inicialmente 26 municípios: 24 no Piauí e 2 na Bahia. Esse número pode mudar conforme o avanço dos estudos. As cidades listadas são:

  • Alegrete do Piauí
  • Belém do Piauí
  • Campo Alegre do Fidalgo
  • Capitão Gervásio Oliveira
  • Caridade do Piauí
  • Coronel José Dias
  • Curral Novo do Piauí
  • Dirceu Arcoverde
  • Dom Inocêncio
  • Francisco Macedo
  • Jacobina do Piauí
  • Lagoa do Barro do Piauí
  • Massapê do Piauí
  • Padre Marcos
  • Patos do Piauí
  • Paulistana
  • Queimada Nova
  • São Francisco de Assis do Piauí
  • São João do Piauí
  • São Julião
  • São Lourenço do Piauí
  • Simões
  • Vila Nova do Piauí
  • Remanso-BA
  • Sento Sé-BA
  • São Raimundo Nonato

A audiência sobre o tema reuniu representantes da sociedade, dos governos estadual e municipal, e do Ministério da Integração, demonstrando o interesse multissetorial na solução dos problemas hídricos da região.

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