TCU afasta superfaturamento em obra da Avenida Litorânea, mas aponta indícios de fraude em licitação
TCU afasta superfaturamento em obra da Avenida Litorânea

TCU analisa obra de prolongamento da Avenida Litorânea no Maranhão

O Tribunal de Contas da União (TCU) afastou suspeitas de superfaturamento na obra de prolongamento da Avenida Litorânea, que conectará São Luís a São José de Ribamar, na Grande Ilha do Maranhão. Apesar dessa decisão, o ministro-relator Benjamin Zymler apontou indícios de fraude à licitação envolvendo a empresa vencedora Lucena Infraestrutura Ltda. e a subcontratada Agla's Infraestrutura Ltda.

Investigação detalhada e irregularidades identificadas

O projeto, totalmente financiado com recursos federais do Novo PAC, recebe investimento de R$ 237 milhões. A fiscalização do TCU ocorreu entre junho de 2024 e julho de 2025, revelando dez irregularidades, sendo oito consideradas graves. Entre as falhas estão:

  • Mudanças não autorizadas no contrato
  • Pagamentos adiantados e fora do ritmo da obra
  • Falhas nos projetos e no orçamento
  • Restrição à concorrência na licitação

Inicialmente, auditores estimaram dano de R$ 357.477,04 por antecipação de pagamento, mas após justificativas dos responsáveis, o TCU considerou que não ficou caracterizado superfaturamento por essa razão. Também foi descartada a hipótese de superfaturamento por qualidade.

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Indícios de fraude à licitação

A investigação identificou que a empresa Agla's Infraestrutura Ltda. pode ter apresentado informações falsas para se enquadrar como Empresa de Pequeno Porte (EPP), exigência do edital da licitação. A empresa foi indicada para executar serviços no valor de aproximadamente R$ 24,2 milhões entre 2024 e 2025.

O ministro-relator destacou que, somente em 2024, antes mesmo da licitação, a empresa já havia firmado contratos no valor de cerca de R$ 10,5 milhões, ultrapassando o limite permitido para enquadramento como pequena empresa. Essa situação pode configurar fraude à licitação.

Servidora pública envolvida

A auditoria revelou que a sócia única e administradora da Agla's Infraestrutura, Aglai Fernanda Serra Araújo Cruz, é servidora pública ativa do Estado do Maranhão desde 2003, atuando como professora vinculada à Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

De acordo com o relatório, o Estatuto dos Servidores Civis do Maranhão proíbe que servidores públicos gerenciem sociedades privadas ou mantenham contratos com a administração estadual, conduta que pode resultar em demissão do serviço público.

Continuidade da obra e audiências

O ministro-relator Benjamin Zymler votou pela continuidade do contrato, destacando que o empreendimento já atingiu mais de 80% de execução física. Segundo ele, uma eventual paralisação poderia causar prejuízos sociais e econômicos superiores aos benefícios do controle imediato.

O TCU determinou a realização de audiências para apresentação de defesa por parte das empresas citadas e de agentes públicos envolvidos no contrato. Entre os que deverão prestar esclarecimentos estão:

  1. José Ribamar Santana, superintendente de Projetos da Sinfra
  2. Marco André Mota Carvalho, fiscal do contrato na Sinfra
  3. Solano Silva de Melo, analista da Caixa Econômica Federal
  4. Representantes da Lucena Infraestrutura Ltda.
  5. Representantes da Agla's Infraestrutura Ltda.

Detalhes do projeto de prolongamento

A obra de prolongamento da Avenida Litorânea terá 7 quilômetros de extensão, conectando municípios da Ilha de São Luís e reorganizando o crescimento urbano da orla. O projeto inclui:

  • Ciclovia ao longo de toda a via
  • 10,2 quilômetros de calçadas
  • Três faixas por sentido, sendo uma exclusiva para ônibus
  • Novos abrigos para passageiros
  • Estacionamento em 45º
  • Canteiro central e iluminação em LED
  • Sistema de drenagem pluvial e duas estações elevatórias

A intervenção também prevê a construção de uma ponte sobre o Rio Jaguarema, ligando o novo trecho à Avenida Atlântica no Araçagi, e a requalificação da Praça de Iemanjá no Olho d'Água, com melhorias na área de lazer e infraestrutura.

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Cronograma e expectativas

Inicialmente com previsão de conclusão em 25 meses, o secretário da Sinfra, Aparício Bandeira, informou em junho do ano passado que a meta era concluir a obra antes do Carnaval de 2026, o que não aconteceu. O governo do estado afirma que a obra está avançada, mas não divulgou um prazo específico para conclusão.