Tribunal de Contas de Roraima inicia auditoria na Universidade Estadual após pedido do reitor
O Tribunal de Contas do Estado de Roraima (TCE-RR) deu início a uma auditoria de conformidade na Universidade Estadual de Roraima (UERR), com o objetivo de acompanhar de perto contratos e atos administrativos da instituição de ensino superior. A medida foi oficializada nesta sexta-feira (10) e surge em resposta a um pedido formal do reitor da UERR, Cláudio Travassos Delicato, que alertou para uma grave crise institucional que assola a universidade.
Escopo da auditoria abrange áreas essenciais do funcionamento universitário
O procedimento auditório vai analisar minuciosamente uma série de contratos e processos considerados vitais para a operação da UERR. Entre os itens sob escrutínio estão:
- Serviços terceirizados, especialmente os de limpeza e manutenção
- Compra de materiais e insumos para as atividades acadêmicas
- Manutenção predial dos campi universitários
- Realização do vestibular e processos seletivos
- Auditoria externa contratada pela instituição
- Credenciamento de outras instituições de ensino
O conselheiro relator Bismarck Dias de Azevedo, responsável pela decisão, enfatizou que a auditoria segue rigorosamente os critérios legais estabelecidos na Lei Orgânica do Tribunal, particularmente os parâmetros de relevância e risco. Segundo sua fundamentação, os contratos em análise envolvem valores financeiros significativos e impactam diretamente o funcionamento cotidiano da universidade, justificando plenamente o acompanhamento especializado.
Histórico de investigações e denúncias eleva classificação de risco
Em sua decisão, o conselheiro Bismarck Dias de Azevedo destacou que o risco associado à UERR foi classificado como alto devido ao histórico recente da instituição. Entre os casos que contribuíram para essa avaliação estão:
- Denúncias formalizadas pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) contra ex-gestores da universidade, acusados de desvios milionários em contratos
- Investigações em andamento da Polícia Federal sobre supostas fraudes em processos seletivos, incluindo vestibulares e concursos públicos
- Limitações orçamentárias recorrentes que afetaram o funcionamento de unidades acadêmicas e serviços essenciais
O contexto de crise financeira ficou evidente em fevereiro, quando a UERR iniciou o primeiro semestre letivo de 2026 de forma remota, após a suspensão de serviços terceirizados devido a atrasos nos pagamentos. Na ocasião, a reitoria reclamou publicamente de uma "estagnação" no orçamento destinado a custear contratos essenciais.
Conflito com o Executivo estadual e normalização parcial das atividades
O governo do estado de Roraima rebateu as alegações da reitoria, revelando que em 20 de fevereiro havia autorizado a liberação de R$ 4,8 milhões solicitados pela própria UERR. Desse montante, R$ 4 milhões foram especificamente destinados ao pagamento de empresas terceirizadas, em uma tentativa de resolver a crise imediata.
As aulas presenciais foram finalmente retomadas em março, após a normalização dos serviços de limpeza terceirizados, o que permitiu o uso adequado dos espaços físicos da universidade. No entanto, a instituição continua alegando falta de recursos suficientes para garantir o pleno funcionamento de todas as suas atividades acadêmicas e administrativas.
A auditoria do TCE-RR representa agora um novo capítulo neste cenário complexo, com o tribunal assumindo um papel ativo na fiscalização dos recursos públicos destinados à educação superior em Roraima. O acompanhamento detalhado dos contratos busca não apenas identificar possíveis irregularidades passadas, mas também estabelecer controles mais eficazes para o futuro da instituição.



