TCDF investiga irregularidades em licitação do Museu Nacional da Bíblia em Brasília
TCDF investiga licitação do Museu da Bíblia em Brasília

TCDF investiga supostas irregularidades na licitação do Museu Nacional da Bíblia

O Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF apresente esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no processo licitatório para a construção do Museu Nacional da Bíblia, localizado no Eixo Monumental de Brasília. A decisão ocorre após análise de representação feita por dois deputados distritais da Câmara Legislativa do DF, que apontam uma série de problemas no certame.

Aumento orçamentário e alterações questionáveis

Entre os principais pontos levantados pelo tribunal está o aumento expressivo de 184% no valor previsto para as obras. Documentos analisados mostram que o orçamento do empreendimento saltou de R$ 26 milhões em 2021 para R$ 74 milhões em 2025, sem justificativas claras para essa elevação.

O processo licitatório também passou por quatro editais diferentes entre 2020 e 2022, com nove alterações significativas ao longo desse período. Associações de arquitetura chegaram a questionar diversos pontos do edital, mas, segundo a representação, não obtiveram respostas satisfatórias da administração pública.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Suposto direcionamento na escolha do projeto

Um dos aspectos mais graves apontados pelos parlamentares é a possível desconsideração da avaliação técnica que definiu o projeto vencedor. De acordo com a representação, gestores administrativos teriam optado por contratar o segundo colocado no certame, em detrimento do primeiro colocado.

"A situação pode indicar direcionamento da contratação, em desacordo com o princípio da isonomia previsto na Constituição Federal", alerta o documento. Os autores ainda afirmam que o concorrente escolhido teve autorização para reduzir o valor da proposta, enquanto o primeiro colocado não recebeu a mesma oportunidade.

Inclusão de anfiteatro e questões patrimoniais

Outro ponto controverso é a inclusão de um anfiteatro no projeto final, item que não estava previsto originalmente no edital da licitação. Essa alteração substancial no objeto do contrato levanta suspeitas sobre a regularidade do processo.

O tribunal também destacou a possível ausência de manifestação de órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural. Entre as instituições que deveriam ter se pronunciado estão:

  • Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
  • Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do DF (Codepac)
  • Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF (Conplan)

Existe preocupação de que o projeto possa ser incompatível com as regras de proteção do Conjunto Urbanístico de Brasília, tombado como patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Posicionamento da Secretaria de Cultura

Em nota oficial, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF negou todas as acusações de irregularidade. A pasta afirmou que todos os questionamentos foram respondidos dentro do prazo estabelecido pelo TCDF e que não houve qualquer alteração, revisão ou inversão da classificação definida pela Comissão Julgadora.

"O concurso foi estruturado como seleção e premiação de propostas arquitetônicas, com cessão dos direitos patrimoniais de uso dos projetos classificados à Administração. Não há obrigação legal ou editalícia de execução do projeto vencedor", explicou a secretaria em seu posicionamento.

A pasta ainda destacou que a escolha administrativa de eventual utilização de uma das soluções premiadas insere-se no âmbito da discricionariedade administrativa, desde que devidamente motivada. Sobre as questões patrimoniais, a secretaria afirmou que as manifestações da SECEC não substituem autorizações urbanísticas ou patrimoniais, que devem ser obtidas pelo órgão executor da obra.

Contexto histórico do projeto

O Museu Nacional da Bíblia teve sua Pedra Fundamental instalada no Eixo Monumental em 2019, durante gestão anterior do Governo do Distrito Federal. O projeto visa criar um espaço cultural dedicado à preservação e divulgação do acervo bíblico nacional, mas tem enfrentado controvérsias desde seu início.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça derrubou decisão que liberava as obras do museu, aumentando ainda mais as incertezas sobre o futuro do empreendimento. O caso continua sob análise do TCDF, que deverá emitir parecer final sobre a regularidade do processo licitatório.