Prefeitura de Igarapava instaura sindicância após diretor usar carro oficial em caso pessoal
A Prefeitura de Igarapava, no interior de São Paulo, tomou medidas rigorosas contra um servidor público após um episódio que envolveu o uso indevido de um veículo oficial para fins particulares. O diretor de Infraestrutura, André Luiz Clementino de Souza, foi exonerado de seu cargo comissionado, e uma sindicância foi aberta para investigar os detalhes do caso, que ganhou repercussão nas redes sociais.
Agressão passional danifica carro da prefeitura
O incidente ocorreu na última quinta-feira (2), na cidade de Delta, em Minas Gerais, localizada a aproximadamente 14 quilômetros de Igarapava. Testemunhas registraram em vídeo o momento em que a ex-esposa de Souza o agrediu fisicamente enquanto ele falava ao celular em uma rua. Em seguida, ela utilizou uma barra de ferro para causar danos significativos ao carro alugado e abastecido pela prefeitura, que o servidor estava utilizando na ocasião.
De acordo com relatos, os prejuízos na lataria e nos vidros do veículo ultrapassam a marca de R$ 3 mil. A Polícia Militar foi acionada, mas a mulher conseguiu fugir antes da chegada das autoridades. Posteriormente, ela compareceu à delegacia e admitiu os atos, alegando ter agido sob forte abalo emocional ao descobrir uma suposta traição por parte do ex-marido.
Registro policial e contexto do casal
André Luiz Souza registrou um boletim de ocorrência contra a ex-companheira, detalhando que o casal está em processo de separação, mas ainda reside na mesma casa em Igarapava. Ele relatou à Polícia Civil de Franca (SP) que, durante o episódio, a mulher tentou provocar uma colisão frontal com outro carro antes de descer e iniciar a agressão. Souza negou qualquer reação violenta, afirmando que apenas tentou se proteger e que a agressora fugiu após a PM ser chamada.
O caso foi registrado como lesão corporal e dano com motivação passional, uma categoria legal aplicada quando há vínculo afetivo entre as partes envolvidas. A mulher também alegou que Souza destruiu seu celular ao jogá-lo no chão, acusação que ele refuta veementemente.
Consequências administrativas e defesa do servidor
A administração pública de Igarapava informou que gasta cerca de R$ 18,5 mil mensais com o aluguel de cinco carros sedã, incluindo o veículo danificado. Após tomar conhecimento da conduta de Souza, a prefeitura decidiu por sua exoneração do cargo comissionado, embora ele tenha retornado a atuar como motorista, por ser concursado na instituição.
Em nota, a defesa do servidor argumentou que, como ocupante de um cargo de confiança, Souza não estava submetido a controle rígido de jornada de trabalho, conforme a legislação trabalhista. A defesa afirmou que o deslocamento para Delta para tratar de assunto particular não configura irregularidade funcional, devido à flexibilidade inerente a tais posições. Além disso, Souza solicitou a exoneração da função de confiança, demonstrando, segundo seus advogados, uma postura responsável diante das circunstâncias vividas.
Investigações em andamento e impacto na comunidade
A sindicância instaurada pela Prefeitura de Igarapava visa apurar minuciosamente os fatos, incluindo o uso do carro oficial e as responsabilidades envolvidas. Este caso levanta questões sobre a gestão de recursos públicos e os protocolos de conduta para servidores em cargos de confiança, especialmente em municípios do interior paulista.
Enquanto as investigações prosseguem, a comunidade local acompanha com atenção os desdobramentos, que destacam a interseção entre vida pessoal e profissional no serviço público. A prefeitura reforçou seu compromisso com a transparência e a aplicação das normas administrativas, assegurando que medidas adequadas serão tomadas para evitar futuros incidentes.



