Sabesp flagra mais de 2 mil furtos de água na Baixada Santista em 2025
Sabesp flagra 2 mil furtos de água na Baixada Santista

Sabesp identifica mais de 2 mil ocorrências de furto de água na Baixada Santista

Uma operação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) revelou uma situação alarmante na Baixada Santista, no litoral paulista. Durante o ano de 2025, foram registrados em média seis furtos de água por dia, totalizando 2.191 irregularidades identificadas em 4.983 inspeções realizadas pela empresa. Esse número representa quase o dobro das ocorrências registradas no ano anterior, evidenciando um crescimento preocupante desse tipo de crime na região.

Volume recuperado e impacto no abastecimento

As ações de fiscalização permitiram a recuperação de aproximadamente 158 milhões de litros de água ao longo de 2025. Para se ter uma ideia da magnitude desse volume, ele seria suficiente para abastecer cerca de 40 mil pessoas durante um mês inteiro. Em comparação, no ano de 2024, haviam sido recuperados apenas 23 milhões de litros, o que significa que a quantidade recuperada em 2025 foi mais de seis vezes maior, destacando a eficácia das operações, mas também a escalada do problema.

Perfil das irregularidades por tipo de estabelecimento

As inspeções da Sabesp abrangeram diversos segmentos, com resultados que mostram onde as fraudes são mais frequentes:

  • Residências: Foram realizadas 4.065 inspeções, resultando em 1.932 irregularidades, o que representa a maior parte dos casos.
  • Estabelecimentos comerciais: Em 887 inspeções, foram encontradas 251 irregularidades.
  • Setor industrial: Apenas 31 inspeções foram feitas, com 7 irregularidades identificadas.

Entre os ramos com maior incidência de problemas, além das residências, destacam-se o comércio atacadista, salões de beleza, bares e restaurantes, bem como empresas dos setores de telefonia, informática e serviços. Esses dados indicam que a prática do furto de água não se limita a um único tipo de local, mas está disseminada em diferentes ambientes.

Mecanismo de detecção e consequências legais

O diretor de Combate a Fraudes da Sabesp, Luiz Renato Fraga, explicou que as operações começam com a análise de padrões de consumo. Volumes de água fora do esperado disparam alertas que levam a verificações em campo. “Um consumo fora do padrão já dispara um alerta para verificação. Confirmada a frade, a ocorrência é registrada, as medidas legais são adotadas e o responsável pode ser conduzido à delegacia”, afirmou Fraga, enfatizando a seriedade com que a empresa trata o assunto.

Essas fiscalizações fazem parte da Operação Gato Molhado, uma iniciativa permanente da Sabesp para identificar ligações clandestinas e fraudes. As ações se concentram não apenas em residências, mas também em segmentos de alto consumo, como obras, indústrias, lava-rápidos e estabelecimentos comerciais em geral.

Enquadramento legal e penalidades

De acordo com a legislação brasileira, o furto de água é considerado crime, previsto no artigo 155 do Código Penal. Dependendo das circunstâncias, pode ser enquadrado como furto qualificado, o que aumenta a gravidade da infração. As penas para esse tipo de delito podem chegar a oito anos de prisão, demonstrando que as consequências legais são severas para quem comete tais irregularidades.

Essa situação na Baixada Santista serve como um alerta para a importância do uso consciente dos recursos hídricos e do combate a práticas ilegais que prejudicam o abastecimento público e a sustentabilidade ambiental.