Sabesp finaliza reparos em megacratera da Marginal Tietê após 11 meses de obras complexas
Mais de onze meses após a abertura de uma megacratera na Marginal do Tietê, próximo à Ponte Atílio Fontana, na Zona Norte de São Paulo, a Sabesp anunciou a conclusão das obras de reparo do interceptor de esgoto que originou o problema. O incidente inicial ocorreu em 10 de abril de 2025, exigindo intervenções profundas e complexas que se estenderam por quase um ano.
Conclusão das obras e próximos passos
Nesta terça-feira (17), a companhia de saneamento informou que as equipes já desmontaram o canteiro de obras no local e que a empresa está em tratativas com a Prefeitura de São Paulo para a finalização dos reparos e asfaltamento da pista. A entrega do espaço antes do fim de março está alinhada com a promessa feita pelo diretor de engenharia da Sabesp, Roberval Tavares, em setembro do ano passado.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), através da Secretaria Municipal das Subprefeituras, não estabeleceu um prazo específico para a reparação do asfalto e liberação do trecho para o tráfego de veículos. A secretaria afirmou que "monitora os trabalhos da Sabesp no trecho da Marginal Tietê, próximo à Ponte Atílio Fontana" e que o serviço de reparo do asfalto será executado pela concessionária.
Histórico do problema e complexidade das obras
O buraco abriu-se inicialmente no dia 10 de abril de 2025, foi fechado dias depois, mas voltou a ceder em 11 de maio. Foi então que a Sabesp identificou que o problema era mais grave do que se imaginava, exigindo uma obra complexa a 15 metros de profundidade. No local, passa um supertúnel de esgoto que recebe os dejetos de vários bairros da capital e os conduz até a estação de tratamento de Barueri, na região metropolitana.
Para realizar os reparos, a Sabesp precisou:
- Esvaziar completamente o túnel da margem direita
- Criar pontos de transferência de esgoto para outras tubulações
- Utilizar tubos que ligam uma margem à outra através das pontes sobre o rio
- Implementar um duto subterrâneo na região do Piqueri
A operação envolveu o esgoto de mais de 435 mil imóveis da Zona Norte de São Paulo, representando um desafio logístico e técnico significativo.
Soluções técnicas e medidas de segurança
O diretor de engenharia da Sabesp, Roberval Tavares, explicou que a empresa conseguiu retirar mais de 99% do esgoto da tubulação, utilizando um gel químico para fazer o bloqueio total do interceptor. "Hoje o que passa é um pequeno resquício que vai ser suprimido na hora em que fizermos o bloqueio total", afirmou Tavares.
Durante o processo de transferência em junho, a Sabesp foi notificada pela Cetesb por ter bombeado esgoto para dentro do Rio Tietê. A companhia justificou que a medida foi tomada como plano de contingência para proteger os operários da obra, sendo acionada apenas quando houve perigo iminente.
Para estabilização definitiva do solo, foram implementadas:
- 66 estacas de concreto para evitar novos desmoronamentos
- Um novo poço de acesso de 15 metros de profundidade
- Recuperação de trecho de aproximadamente 30 a 50 metros do túnel
- Reparo da caixa de passagem que causou o desmoronamento inicial
Tavares garantiu que "todas as injeções de concreto deixaram o solo totalmente preservado e não há possibilidade nenhuma da expansão dessa cratera para algumas das pistas".
Impacto no trânsito e situação atual
Por vários meses, os motoristas que passavam pela Marginal Tietê tiveram que dividir espaço com cones, máquinas e a cratera no meio do caminho. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o trecho segue devidamente sinalizado para o trânsito até o fim da manutenção completa.
Agora, com as obras da Sabesp concluídas, a bola está com a prefeitura para finalizar o asfaltamento e liberar completamente o trecho para o tráfego normal de veículos, encerrando um capítulo que perturbou a mobilidade urbana na região por quase um ano inteiro.



