Governador Ratinho Jr. anuncia seis novos poços para resolver crise da água em Ponta Grossa
Ratinho Jr. anuncia poços para crise da água em Ponta Grossa

Governador do Paraná anuncia medidas emergenciais para crise hídrica em Ponta Grossa

O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior, foi questionado pela RPC, afiliada da TV Globo no estado, sobre a qualidade da água em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Durante uma entrevista coletiva de imprensa nesta terça-feira (3), ele apontou a construção de seis novos poços como solução imediata para os problemas no sistema de abastecimento que vêm sendo relatados por moradores há cerca de dois meses.

Problemas persistentes e causas identificadas

Desde janeiro, residentes de diversas regiões da cidade têm reclamado de cheiro e gosto ruins na água encanada. Segundo o governador e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a situação é resultado de um aumento atípico na quantidade de algas na represa de Alagados, responsável por aproximadamente 30% da captação de água em Ponta Grossa. A Sanepar atribuiu esse fenômeno a um longo período de chuvas abaixo da média na microbacia do rio Pitangui, combinado com temperaturas elevadas, o que levou a uma maior concentração de nutrientes e crescimento de algas.

A companhia enfatizou que a água distribuída permanece dentro dos padrões de potabilidade e pode ser consumida com segurança, mas reconheceu que a normalização completa do odor e do gosto depende da retomada de chuvas adequadas para diluir naturalmente as algas no reservatório.

Medidas imediatas e planos futuros

Ratinho Jr. destacou que a previsão é que todos os seis poços estejam prontos para uso em até 12 dias. A ideia é que a Sanepar passe a captar água desses novos poços, reduzindo a dependência da represa do Alagados até que o problema seja resolvido. Além disso, o governador mencionou a contratação de uma empresa canadense para avaliar uma solução definitiva e conversas com indústrias locais que possuem sistemas de captação próprios, visando disponibilizar água para a rede de abastecimento da cidade.

A Sanepar também anunciou uma série de ações para enfrentar a crise, incluindo:

  • Perfuração e operacionalização de poços como medida imediata.
  • Reforço no tratamento e monitoramento da água, com análises diárias e ajustes operacionais contínuos.
  • Instalação de equipamentos de medição e controle para melhorar a gestão do sistema.
  • Melhorias e ampliações no sistema produtor e de tratamento de água a médio prazo.
  • Programas de conservação de solo e água nas propriedades rurais, recuperação de nascentes e mobilização regional para proteção da microbacia.

Contexto histórico e desafios contínuos

Este não é o primeiro problema de abastecimento enfrentado por Ponta Grossa. No início de 2025, moradores passaram semanas com falta de água devido a reservatórios vazios, causados por aumento no consumo durante uma onda de calor e problemas técnicos em obras emergenciais. Na ocasião, o governador chegou a pedir desculpas aos afetados.

A Sanepar reforçou que, embora as medidas estejam em execução, a recuperação plena do reservatório Alagados não é imediata e está diretamente ligada ao comportamento das chuvas nos próximos meses. A crise atual destaca a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura hídrica e gestão sustentável dos recursos naturais na região.