Falha de energia causa morte de 900 mil peixes e prejuízo milionário em Tupãssi
Queda de energia mata 900 mil peixes e causa prejuízo de R$ 9 mi

Falha no fornecimento de energia elétrica provoca tragédia ambiental e econômica em piscicultura do Paraná

Uma grave interrupção e oscilação no fornecimento de energia elétrica resultou na morte de aproximadamente 900 mil quilos de tilápias e em um prejuízo financeiro estimado em R$ 9 milhões em uma propriedade rural de Tupãssi, município localizado na região oeste do Paraná. O caso, que envolve a Companhia Paranaense de Energia (Copel), levou a Justiça a intervir com uma medida urgente, determinando que a empresa resolva a situação crítica em um prazo máximo de 48 horas, sob pena de aplicação de multa diária.

Produtor relata perdas devastadoras e impacto emocional

Segundo o produtor rural Paulo Michelon, proprietário da piscicultura afetada, as oscilações na rede elétrica começaram a ocorrer no início do mês de janeiro, mas se intensificaram de forma alarmante na última semana. Na quinta-feira, dia 26, o problema culminou com a queima de equipamentos essenciais e a paralisação total dos aeradores, dispositivos responsáveis pela oxigenação da água nos tanques de criação.

"Eu alojo cerca de 1 milhão e 100 mil peixes nessa área. Já estavam prontos para o abate, com quase 1 milhão de quilos. Pelo valor de mercado, o prejuízo chega a R$ 9 milhões. Como vou pagar o banco e os investimentos? Chega uma hora que os equipamentos não aguentam. É uma dor profunda. Passei mal e precisei ir ao hospital", desabafou Michelon, evidenciando o grave impacto econômico e emocional do incidente.

Desde a ocorrência, funcionários da propriedade têm trabalhado incessantemente na remoção dos peixes mortos, que se acumulam em seis reservatórios diferentes. A cena é de devastação total, com perdas que equivalem a quase uma tonelada de produção comprometida.

Laudo técnico comprova irregularidade no fornecimento energético

Um laudo pericial, contratado pelo produtor e apresentado à Justiça como prova, confirmou que a tensão elétrica fornecida à propriedade estava significativamente abaixo do mínimo exigido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Enquanto o padrão estabelece 220 volts, as medições indicaram valores bem inferiores, caracterizando uma falha grave no serviço prestado pela concessionária.

Ao analisar o caso, o juiz Luiz Fernando Montini concedeu uma liminar destacando que as oscilações no fornecimento de energia no estado do Paraná são um "fato público e notório". Em sua decisão, o magistrado ressaltou que a Copel tem a obrigação legal de garantir um serviço adequado, seguro e contínuo aos consumidores.

A determinação judicial estabeleceu um prazo de 48 horas para que a companhia comprove a regularização do fornecimento na propriedade rural. Caso o prazo não seja cumprido, foi fixada uma multa diária de R$ 2 mil, com um limite inicial de R$ 60 mil, visando pressionar a empresa a agir com a máxima urgência.

Posicionamento da Copel e tramitação judicial

Procurada pela imprensa, a Copel informou que a ação judicial tramita sob segredo de Justiça e que ainda não havia sido oficialmente intimada sobre a decisão. A empresa afirmou que, assim que for notificada, irá analisar detalhadamente o conteúdo da liminar e adotar todas as providências necessárias para resolver a situação.

Este incidente coloca em evidência a vulnerabilidade do setor produtivo, especialmente da agropecuária, frente a falhas na infraestrutura básica. A morte em massa dos peixes não representa apenas um prejuízo financeiro monumental para o produtor, mas também levanta questões sobre a responsabilidade das concessionárias de energia e a necessidade de maior fiscalização e investimento em redes estáveis e confiáveis.