Privatização da Celepar gera incertezas sobre segurança de dados no Paraná
Privatização da Celepar gera incertezas sobre dados no PR

Privatização da Celepar levanta dúvidas sobre armazenamento de dados no Paraná

O destino da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) permanece incerto, dependendo de análises do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa, fundada em 1964 e com 980 funcionários, enfrenta um processo de privatização proposto pelo Governo do Paraná em novembro de 2024, mas o leilão marcado para 17 de março na B3 está suspenso desde 22 de fevereiro de 2026.

Suspensão pelo STF e preocupações com dados sensíveis

O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu provisoriamente a privatização, apontando um cenário de insegurança jurídica devido a "sucessivas decisões" do TCE-PR que paralisam e retomam o processo. Em sua decisão, Dino destacou riscos à proteção de dados e à segurança pública, determinando que o Governo do Paraná adote medidas para garantir a proteção dos dados dos cidadãos e informe ao STF. A previsão é que o tribunal decida sobre a continuidade do processo em sessão virtual entre 6 e 13 de março.

Dino enfatizou que direitos como privacidade e proteção contra discriminações estão em jogo, especialmente com dados sensíveis armazenados pela Celepar, que incluem informações sobre educação, históricos médicos, infrações de trânsito, pagamentos de impostos e segurança pública. Ele solicitou providências, como a elaboração de um relatório de impacto à proteção de dados antes da desestatização, a preservação do controle estatal sobre sistemas e dados sensíveis, e a fiscalização direta das atividades de tratamento desses dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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Respostas do Governo do Paraná e projeto de lei

Após a decisão do STF, o governador Ratinho Junior (PSD) encaminhou à Assembleia Legislativa (Alep) um projeto que altera a lei do Conselho Estadual de Governança Digital e Segurança da Informação (CGD-SI). A proposta define que o órgão exercerá poderes fiscalizatórios sobre o tratamento de dados pessoais sensíveis antes, durante e após a privatização da Celepar, podendo requisitar informações, determinar medidas corretivas e fazer representações à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O projeto também estabelece que o Estado do Paraná preservará o controle sobre sistemas e bases de dados sensíveis, vedando a transferência integral a empresas privadas. O governo solicitou urgência na votação, e a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep aprovou a proposta, que agora aguarda análise na Comissão de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior após pedido de vistas da deputada Ana Júlia (PT), com previsão de retomada em 9 de março.

Contrato polêmico e ações do TCE-PR

Em fevereiro, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) assinou um contrato de R$ 438 milhões com a Celepar para serviços como computação em nuvem e consultoria, um dia antes da publicação do edital de privatização. Isso levantou questões sobre possíveis conflitos, e o TCE-PR solicitou informações à Sesp sobre o acordo.

O TCE-PR tem alternado entre suspender e liberar o processo de privatização. Em setembro de 2025, o órgão identificou fragilidades que poderiam expor o Estado a riscos financeiros e de continuidade de políticas públicas, suspendendo a venda até que estudos detalhados fossem feitos. Em janeiro de 2026, após apresentação de documentação pelo governo, o TCE liberou o processo, mas dias depois, um conselheiro apresentou nova cautelar suspendendo a venda, com pedido de vistas ainda pendente.

Pedido do governo e andamento no STF

O Governo do Paraná solicitou ao ministro Flávio Dino que a discussão fosse retirada da pauta do plenário do STF, argumentando que adotou providências como o projeto de lei, a elaboração de um relatório de impacto e avanços na contratação do SERPRO para custodiar dados de segurança pública. O governo se comprometeu a cumprir todos os requisitos em 15 dias e pediu que o julgamento ocorresse em sessão presencial.

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No entanto, o STF não respondeu ao pedido e iniciou o debate em sessão de 6 de março. Após pedido de vistas do ministro Cristiano Zanin, a análise foi interrompida e ficará suspensa por até 90 dias. Enquanto isso, a decisão cautelar de Dino permanece válida, mantendo o leilão da Celepar suspenso e as incertezas sobre o futuro da empresa e a segurança dos dados dos paranaenses.