Ponte no Acre inicia manutenção parcial após danos causados pela cheia do Rio Abunã
A ponte sobre o Igarapé Rapirrã, localizada em Plácido de Castro, no interior do Acre, danificada pela cheia do Rio Abunã, passou por uma manutenção parcial nesta sexta-feira, 10 de maio. A estrutura, que conecta o município acreano à Vila Evo Morales, na Bolívia, permanece interditada para o tráfego de veículos desde o final de março devido à inundação.
Conforme informações da Defesa Civil Municipal ao g1, mesmo com o início dos reparos, a ponte continua fechada para veículos, sendo utilizada exclusivamente por pedestres e ciclistas. A liberação total depende da conclusão dos trabalhos e de uma nova avaliação das condições de segurança da estrutura.
Trabalhos concentrados em pontos danificados
No momento, os trabalhos se concentram apenas nos pontos danificados identificados durante as vistorias, sem a remoção completa da estrutura. Uma intervenção mais ampla está prevista para ocorrer após a normalização do nível do rio, de acordo com a Defesa Civil.
O monitoramento do órgão indicou que, na medição desta sexta-feira, o Rio Abunã marcou 12,53 metros, ficando abaixo da cota de transbordo, que é de 12,60 metros, porém ainda acima da cota de alerta, fixada em 12,20 metros. Com a vazante, houve redução do volume de água no igarapé Rapirrã, permitindo avaliações técnicas e o início das intervenções com apoio de embarcações.
Equipes envolvidas e contexto da cheia
A ação envolve equipes do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), da Prefeitura de Plácido de Castro e representantes bolivianos. A demanda foi inicialmente levantada pela Defesa Civil municipal, que realizou inspeções no local e encaminhou relatórios técnicos aos órgãos responsáveis.
Apesar da redução do manancial, o município permanece em estado de atenção devido ao período chuvoso e à possibilidade de novas elevações no nível do rio, além dos impactos ainda existentes em áreas urbanas e rurais. O rio Abunã atingiu 12,93 metros na última terça-feira, 7 de maio, ultrapassando em 33 centímetros a cota de transbordo.
Pelo menos três comunidades foram alagadas e mais de 100 famílias foram afetadas. Na área urbana, duas famílias precisaram deixar suas casas e foram acolhidas por parentes e amigos, sem registro de desabrigados até o momento.
Emergência e dificuldades enfrentadas
Entre os dias 1º e 3 de abril, o município registrou cerca de 280 milímetros de chuva, levando o governo do estado a decretar situação de emergência em Plácido de Castro e outros cinco municípios. O maior nível atingido pelo manancial na cidade foi 13,64 metros na última sexta-feira, 3 de maio.
Estudantes que atravessam a fronteira para cursar medicina na Bolívia relataram medo ao atravessar a ponte a pé para ir à faculdade. Osvaldo Junior, de 39 anos, descreveu o desgaste e o risco diário, enquanto Alexandria Jardim mencionou dificuldades com chuva e estradas esburacadas.
Do lado boliviano, comerciantes também relatam prejuízos. O empresário Ruan Sousa afirmou que a interdição afeta diretamente a economia local, destacando a interdependência entre Brasil e Bolívia.
Equipes da Defesa Civil seguem monitorando o manancial, acompanhando famílias afetadas e mantendo ações de resposta em andamento. O prefeito Camilo da Silva (PP) destacou os esforços da gestão municipal no acolhimento e atendimento às famílias, com distribuição de cestas básicas e disponibilização de abrigos.



