Biblioteca da UFMA e Palácio das Lágrimas em São Luís: Obras atrasadas há anos e milhões desperdiçados
Obras atrasadas da UFMA em São Luís: Biblioteca e Palácio sem conclusão

Obras da UFMA em São Luís: Biblioteca e Palácio das Lágrimas seguem paralisados após anos de atraso

A Biblioteca Central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e o Palácio das Lágrimas, localizados em São Luís, continuam sem funcionamento após anos de atrasos nas obras, com investimentos que somam milhões de reais e prazos de conclusão indefinidos. Os projetos, que deveriam revitalizar importantes patrimônios da cidade, enfrentam uma série de problemas, desde abandono por construtoras até falhas graves identificadas por órgãos de controle.

Biblioteca Central: 16 anos de espera e R$ 31 milhões investidos

O caso da Biblioteca Central é emblemático. A obra começou em 2010, com um contrato inicial de quase R$ 11 milhões, mas foi abandonada pela primeira construtora. Entre 2014 e 2015, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou irregularidades significativas, incluindo atuação inadequada de servidores e extravio de documentos. Em 2020, a UFMA assinou um novo contrato com outra empresa, mas a construção não foi finalizada.

Em 2023, o prédio foi entregue de forma incompleta, e em 2024, a universidade assinou um termo aditivo com novo prazo, inicialmente previsto para abril e depois prorrogado por mais 60 dias. Mesmo assim, a obra permanece inacabada. Até o início deste ano, o acervo de mais de 180 mil livros continuava armazenado no prédio antigo e em bibliotecas espalhadas pela instituição. A última previsão de entrega era para maio do ano passado, mas o local segue fechado, com três empresas já envolvidas no processo.

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O universitário Jorge Arthur, que está há quase seis anos na UFMA, expressa frustração: “Todo semestre falam que vão entregar, mas nunca acontece. Tenho minhas dúvidas em relação a isso”. O total investido até agora é de aproximadamente R$ 31 milhões, sem data certa para conclusão.

Palácio das Lágrimas: Reforma interrompida e deterioração contínua

O Palácio das Lágrimas, situado no centro histórico de São Luís, também enfrenta atrasos crônicos. Construído no início do século XX, o edifício abrigou as faculdades de Farmácia e Odontologia da UFMA até 1990, quando foi fechado. A primeira tentativa de recuperação ocorreu em 2014, com um investimento de mais de R$ 2 milhões, mas as obras foram interrompidas entre 2017 e 2018.

Em julho de 2022, a Justiça Federal determinou que a UFMA realizasse a restauração em até 180 dias, mas o serviço não foi retomado, e a estrutura continuou se deteriorando. Em janeiro de 2024, a universidade anunciou novos projetos de restauração, com investimento superior a R$ 5,5 milhões, prevendo que o prédio abrigaria a Escola de Música da UFMA.

As obras foram retomadas em setembro de 2024, com um investimento adicional de quase R$ 6 milhões. A previsão inicial era de entrega em setembro de 2025, mas até abril de 2026, o local permanece cercado, sem indicação clara de quando será concluído.

Posicionamento das autoridades

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) informou que o Palácio das Lágrimas está incluído em um conjunto de obras de restauração em São Luís, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em parceria com o Governo do Estado do Maranhão. A previsão inicial é de que a obra dure entre oito e doze meses.

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) afirmou que as obras na Biblioteca Central e no Palácio das Lágrimas seguem dentro dos prazos estabelecidos e que a conclusão das etapas está prevista para este ano. No entanto, a instituição não forneceu uma data final para a entrega, deixando a comunidade em suspense sobre o futuro desses patrimônios.

Essa situação evidencia um cenário de abandono e desperdício de recursos públicos, com impactos diretos na educação e na preservação do patrimônio histórico de São Luís.

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