Moody's rebaixa nota da Enel Americas por risco de perda de concessão em SP
Moody's rebaixa Enel Americas por risco de concessão em SP

A agência internacional de classificação de risco Moody’s rebaixou nesta segunda-feira (27) a nota da Enel Americas, controladora da Enel em São Paulo, e apontou como principal motivo o risco de a empresa perder a concessão de distribuição de energia no estado. A nota caiu de Baa2 para Baa3, que ainda é considerada segura para investidores, mas já no limite do chamado grau de investimento. A perspectiva negativa indica que, se o cenário piorar, a empresa pode perder esse selo e passar a ser vista como de maior risco.

A Moody’s é uma agência dos Estados Unidos que avalia o risco de empresas e governos não pagarem suas dívidas. Suas notas indicam o nível de confiança do mercado: quanto mais alta, menor o risco. Quando a nota cai, como no caso da Enel, isso sinaliza mais desconfiança e pode encarecer o acesso a crédito. Segundo a Moody’s, a piora na avaliação está diretamente ligada à decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de abrir um processo que pode levar à caducidade do contrato da Enel Distribuição São Paulo — ou seja, à perda da concessão antes do prazo.

Processo de caducidade e apagões

No início do mês, a diretoria colegiada da Aneel aprovou a abertura de um processo que pode encerrar antecipadamente o contrato com a concessionária. A agência considerou insatisfatório o desempenho da Enel diante de uma série de apagões prolongados nos últimos anos – o mais recente, em dezembro passado, deixou 4,4 milhões de clientes sem luz. No relatório, a Moody’s também cita uma sequência de apagões de grande escala em São Paulo, principalmente durante eventos climáticos extremos, e críticas à demora no restabelecimento da energia. Além disso, a agência reguladora suspendeu a análise de renovação antecipada do contrato, o que aumenta a incerteza sobre a permanência da empresa no estado.

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Impacto financeiro e outras concessões

A distribuidora em São Paulo é um dos principais ativos da Enel Americas. Segundo a agência, o contrato responde por cerca de 20% de todo o lucro operacional da companhia. Outras concessões no Brasil, como as do Ceará e do Rio de Janeiro, também enfrentam incertezas, embora já tenham recebido sinalização técnica favorável à renovação. Juntas, elas representam cerca de 13% do resultado da empresa. Ainda segundo a Moody’s, a companhia terá vencimentos de dívida nos próximos anos, além de precisar manter investimentos elevados — estimados em até US$ 3 bilhões por ano, ou cerca de R$ 15 bilhões — para melhorar a rede e reduzir falhas no serviço. Procurada, a Enel não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Ranking de qualidade da Aneel

A Enel São Paulo foi a distribuidora de energia que regrediu mais posições no ranking de avaliação das concessionárias de grande porte da Aneel em 2025. A companhia ficou na 30ª colocação entre as 33 empresas com mais de 400 mil clientes no país, nove posições abaixo da registrada no ano anterior. A avaliação do órgão regulador levou em conta a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia, consolidadas no índice de Desempenho Global de Continuidade (DGC). Segundo a Aneel, no geral, a qualidade dos serviços melhorou no ano passado em comparação com 2024. Em média, os consumidores ficaram 9,3 horas sem luz no ano, uma redução de 9,2%. O resultado da Enel, porém, foi negativo. O DGC da empresa passou de 0,8 em 2024 para 0,9 no ano passado – indicadores mais altos refletem interrupções mais frequentes e longas no fornecimento de energia. Com sede na capital paulista, a Enel SP atende a mais de 8 milhões de unidades consumidoras em 24 municípios da Região Metropolitana.

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