Governo de Minas reduziu em mais de 95% gastos contra impactos das chuvas, revelam dados
MG corta 95% dos gastos contra chuvas enquanto risco aumenta

Redução drástica nos investimentos contra chuvas em Minas Gerais preocupa especialistas

Um levantamento alarmante do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais revela que Juiz de Fora ocupa a nona posição entre os municípios brasileiros com maior população residente em áreas de risco. A cidade mineira registra aproximadamente 130 mil moradores vivendo em zonas de encosta vulneráveis, o que representa quase um quarto de sua população total.

Corte orçamentário de mais de 95% nos últimos três anos

Enquanto a população enfrenta o medo constante dos temporais, dados extraídos do Portal da Transparência expõem uma redução preocupante nos investimentos do governo mineiro. Os recursos destinados a ações relacionadas aos impactos das chuvas sofreram uma queda superior a 95% no período de três anos.

O programa estadual que engloba iniciativas de prevenção, atendimento emergencial e recuperação pós-desastres registrou uma drástica diminuição orçamentária: de R$ 135 milhões em 2023 para apenas aproximadamente R$ 6 milhões em 2025.

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Medo e apreensão entre os moradores de áreas vulneráveis

Na prática, essa redução orçamentária se traduz em insegurança para milhares de famílias. Kelly Cristina de Barros, moradora autônoma de Juiz de Fora, compartilha sua angústia após identificar uma trinca perto de sua residência: "A gente fica apreensivo. Bastante apreensivo, porque é uma coisa que a gente não consegue prever. Então, o medo existe".

A situação se torna ainda mais crítica para gestantes e famílias com crianças pequenas. Tainara da Silva Martins, auxiliar de serviços gerais grávida de nove meses, mora próximo a uma encosta com três filhos e expressa sua preocupação: "Estou bem confusa também e preocupada. Eu estou para ganhar neném a qualquer momento. Como é que fica em abrigo com uma criança recém-nascida? Não tem como".

Especialistas alertam para necessidade de políticas públicas consistentes

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, enfatiza a importância crucial do orçamento para implementação efetiva de medidas preventivas: "As cidades têm que conversar mais com as águas, no sentido de que nós temos que torná-las mais permeáveis para a água que chega. Sem orçamento não há política pública. Não adianta fazer planos, até planos climáticos consistentes, se nós não garantimos meios de implementação".

Resposta do governo e medidas emergenciais

Em contrapartida aos dados apresentados, o governo de Minas Gerais declarou que, considerando todos os programas relacionados, realizou o maior investimento da história em proteção e defesa civil nos últimos anos. A administração estadual afirma ter destinado mais de R$ 94 milhões a 494 municípios mineiros.

Em Juiz de Fora, medidas preventivas continuam sendo implementadas. Em uma rua próxima a uma área onde ocorreu deslizamento de terra, a Defesa Civil orientou todos os moradores a deixarem suas casas e procurarem abrigos seguros, uma ação preventiva enquanto a região permanece sob alerta de chuva.

A combinação entre o aumento populacional em áreas de risco e a redução significativa nos investimentos de prevenção cria um cenário preocupante para o estado mineiro, especialmente diante da crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos.

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