Licitação de R$ 76 milhões para transporte escolar em Teresina é suspensa pelo TCE-PI
Licitação de R$ 76 milhões para transporte escolar suspensa em Teresina

Licitação milionária para transporte escolar em Teresina é suspensa pelo Tribunal de Contas

Uma licitação de R$ 76 milhões destinada ao serviço de transporte escolar na capital piauiense foi parcialmente suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI). A decisão monocrática, assinada pelo conselheiro substituto Jaylson Fabianh Lopes Campelo, atendeu ao pedido de uma empresa que foi desclassificada do processo e alegou tratamento desigual na contratação das concorrentes.

Detalhes da suspensão e próximos passos

A medida suspende temporariamente os lotes II e IV da licitação, que ficam travados até nova decisão do tribunal. A contratação é realizada pelas secretarias de Administração (Sema) e Educação (Semec) de Teresina, que já foram notificadas sobre a decisão. A Sema informou que recebeu a notificação e vai apresentar esclarecimentos dentro dos prazos legais estabelecidos.

A decisão precisa ser confirmada pelos demais conselheiros do TCE-PI e ainda pode receber recursos. Caso as irregularidades apontadas sejam confirmadas, o processo poderá ser anulado ou refeito completamente, o que impactaria diretamente o serviço de transporte escolar na cidade.

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Alegações da empresa desclassificada

A empresa que recorreu ao tribunal afirmou que sua desclassificação foi injusta, baseando-se em supostos erros na apólice de seguro e planilha de custos que, segundo ela, eram simples e corrigíveis. A denunciante ainda alegou que outras empresas teriam recebido tratamento mais flexível durante o processo licitatório.

Entre as irregularidades apontadas estão:

  • Possibilidade de outras empresas corrigirem documentos após o prazo
  • Complementação de informações fora do período estabelecido
  • Revisão de planilhas após a apresentação inicial
  • Inconsistências nos relatórios técnicos da Secretaria de Educação

A empresa também destacou que os relatórios técnicos da Semec apresentaram versões diferentes e inconsistentes ao longo do processo licitatório, o que comprometeria a transparência e igualdade de condições entre os concorrentes.

Análise técnica do Tribunal de Contas

O conselheiro relator Jaylson Campelo entendeu que existem indícios fortes de violação ao princípio da isonomia entre as empresas concorrentes. Em sua decisão, ele destacou que a condução da licitação apresenta possíveis irregularidades que precisam ser investigadas com urgência.

"A desclassificação da denunciante mostra-se incompatível com o princípio da isonomia, que exige tratamento equânime entre os licitantes submetidos às mesmas regras editalícias", escreveu o conselheiro em sua análise técnica.

Campelo também apontou risco iminente de dano ao erário público, uma vez que o lote IV já estava homologado e o lote II estava prestes a ser, o que poderia levar à assinatura do contrato a qualquer momento sem a devida correção das irregularidades apontadas.

Medidas determinadas pelo TCE-PI

Além da suspensão dos dois lotes da licitação, o Tribunal de Contas determinou medidas específicas para apuração completa do caso:

  1. Os secretários Marcos Elvas (Administração) e Ismael Silva (Educação) devem prestar esclarecimentos em até 15 dias úteis
  2. O pregoeiro Igor Meneses também foi convocado para fornecer informações sobre o processo
  3. A Corte solicitou novos documentos à empresa que fez a denúncia
  4. Explicações foram pedidas à Sema e Semec sobre o caso de um servidor acusado de acumular cargos comissionados

O caso representa um importante teste para os mecanismos de controle e transparência nos processos licitatórios do estado do Piauí, especialmente em contratos de alto valor que afetam diretamente serviços essenciais à população, como o transporte escolar.

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