Leilão define empresa para novo centro administrativo de SP nesta quinta-feira
Leilão define empresa para novo centro administrativo de SP

Leilão histórico define futuro do centro administrativo paulista

O governo do estado de São Paulo realiza nesta quinta-feira (26), às 10 horas, na sede da B3, um leilão crucial que determinará a empresa responsável pela construção e administração do Novo Centro Administrativo estadual. O projeto, localizado nos Campos Elíseos, região central da capital paulista, representa uma das principais promessas de campanha do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e prevê a transferência da sede governamental do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo moderno no entorno da Praça Princesa Isabel.

Disputa acirrada entre consórcios

A concessão será realizada através de uma Parceria Público-Privada (PPP) com duração de trinta anos, e duas propostas qualificadas disputam o contrato bilionário. De um lado, está o Consórcio Acciona-Constrap, e do outro, o Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado por Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property. A vitória será decidida pelo grupo que oferecer o maior desconto sobre o valor mensal pago pelo estado, com a contraprestação pública máxima fixada em R$ 76,6 milhões.

Os pagamentos estaduais estarão condicionados ao cumprimento rigoroso de metas de desempenho pela concessionária vencedora. O investimento total estimado para a construção alcança R$ 6,1 bilhões, sendo aproximadamente R$ 3,4 bilhões aportados diretamente pelo governo paulista.

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Escopo abrangente do projeto

A empresa que vencer o leilão assumirá responsabilidades monumentais, incluindo a realização de desapropriações necessárias, a construção de sete edifícios e dez torres para abrigar o gabinete do governador e vinte e oito secretarias e órgãos estaduais, além da restauração de dezessete casarões tombados na região que serão integrados ao complexo. A concessionária também ficará encarregada da operação, manutenção e gestão completa do centro durante todo o contrato, abrangendo serviços essenciais como limpeza, segurança e manutenção predial.

Em contrapartida, a empresa terá direito à exploração comercial de parte do espaço, com aluguel de lojas, estacionamentos e um novo centro de convenções. Atualmente, cerca de vinte e dois mil servidores estaduais estão distribuídos em mais de quarenta endereços diferentes na capital, e a proposta visa centralizar essas estruturas em um único local, prometendo redução significativa de custos administrativos e modernização da gestão pública. É importante destacar que, mesmo com a mudança da sede administrativa, o governador manterá sua residência oficial no Palácio dos Bandeirantes.

Detalhes arquitetônicos e urbanísticos

O projeto arquitetônico foi selecionado através de um concurso público nacional organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP), que registrou recorde histórico de inscrições. A proposta vencedora pertence ao escritório Ópera Quatro Arquitetura, liderado por Pablo Chakur, que será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo. A nova estrutura ocupará quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba, com capacidade para aproximadamente vinte e dois mil servidores.

O complexo contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços institucionais, além de fachadas ativas com comércio e serviços no térreo e estacionamentos subterrâneos. Ao todo, serão destinados vinte e cinco mil metros quadrados para comércio e serviços. O histórico Palácio dos Campos Elíseos, construção centenária que já serviu como sede governamental no século passado, será meticulosamente restaurado com móveis originais da década de 1930 e funcionará como sala de visitas do governo, conectado à nova sede por um túnel subterrâneo.

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Transformação urbana e impacto social

Além dos prédios administrativos, o plano abrange a construção de mais de seis mil moradias na região central, sendo cinquenta e cinco por cento destinadas à população de baixa renda, ampliação e requalificação da Praça Princesa Isabel em um boulevard, alargamento de calçadas, criação de trechos exclusivos para pedestres, aumento em mais de quarenta por cento da área verde do parque e instalação de teatro, auditórios e espaços multiuso. Ruas como Helvetia, Guaianases e Alameda Glete terão trechos destinados exclusivamente a pedestres, enquanto o Terminal Princesa Isabel será desativado e substituído pelo Terminal Luz.

Para viabilizar o projeto, cerca de duzentos e trinta imóveis residenciais deverão ser desapropriados, afetando aproximadamente seiscentas famílias já mapeadas. A estimativa de gastos com desapropriações alcança R$ 500 milhões, e parte da área é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), exigindo a previsão de habitação popular. O governo estima que as obras gerem cerca de trinta e oito mil empregos durante a fase de construção, com previsão de conclusão até 2030.

Aprovação pública e desafios

Uma pesquisa do Datafolha com 1.564 entrevistados revela que sessenta e quatro por cento dos paulistanos consideram a mudança ótima ou boa. Entre moradores ou trabalhadores da região central, oitenta e três por cento acreditam que o projeto trará mais segurança, com expectativas também de melhorias na limpeza urbana (oitenta por cento), oferta de empregos (setenta e quatro por cento), turismo (setenta por cento) e condições de moradia (cinquenta e cinco por cento). Para a população geral da cidade, setenta e sete por cento acreditam em melhora na segurança, e entre setenta e nove e oitenta e quatro por cento avaliam que o projeto trará mais benefícios do que prejuízos.

Contudo, quarenta e sete por cento dos entrevistados acreditam que o trânsito pode piorar com a implementação do projeto. Há também divisão de opiniões quanto à capacidade do estado em concluir a obra dentro do prazo estabelecido e sobre os impactos reais na população vulnerável do entorno, demonstrando que, apesar do amplo apoio, desafios significativos permanecem no horizonte desta ambiciosa iniciativa de transformação urbana e administrativa.