Leilão define construtor do novo centro administrativo de SP com desconto de 9,62%
Leilão define construtor do novo centro administrativo de SP

Leilão define construtor do novo centro administrativo de SP com desconto de 9,62%

O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão para construção da nova sede do governo de São Paulo, realizado nesta quinta-feira (26) na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O grupo ofereceu um desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública, que é o valor pago mensalmente pelo estado durante os 30 anos de concessão. O valor máximo havia sido fixado em R$ 76,6 milhões mensais.

Detalhes do projeto e investimento

O projeto, uma das principais promessas de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), prevê a transferência da sede do governo do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo de prédios no entorno da Praça Princesa Isabel, no Centro da capital. A obra vai custar cerca de R$ 6,1 bilhões e tem promessa de entrega até 2030.

A construção será feita por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), onde o governo paulista entra com metade do valor - aproximadamente R$ 3,4 bilhões em dinheiro público do Tesouro do Estado. O consórcio vencedor é formado pelas construtoras Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property.

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Responsabilidades do consórcio vencedor

Além de construir o complexo, a empresa terá o direito de explorar comercialmente o espaço por 30 anos, fazendo cobrança pela exploração dos estacionamentos, lojas, restaurantes e quiosques que serão erguidos no local. Apenas duas empresas apresentaram interesse na principal obra do governo Tarcísio: o Consórcio Acciona-Construcap e o Consórcio MEZ-RZK Novo Centro.

Os pagamentos do estado à futura concessionária estarão condicionados ao cumprimento de metas de desempenho. A empresa vencedora ficará responsável por:

  • Construir sete edifícios e dez torres para abrigar o gabinete do governador e 28 secretarias e órgãos estaduais
  • Restaurar 17 casarões tombados na região, que serão incorporados ao complexo
  • Realizar desapropriações e pagar indenização dos moradores
  • Operar, manter e gerir o complexo durante todo o contrato, incluindo serviços de limpeza, segurança e manutenção

Protestos de moradores do Centro

O leilão na sede da B3 foi marcado por protestos do lado de fora. Alguns moradores de imóveis que serão desapropriados e demolidos para a construção do novo centro administrativo, nos Campos Elísios, fizeram um protesto contra o projeto nesta quinta-feira (26).

O grupo de cerca de 30 pessoas - incluindo militantes de movimentos de moradia - se reuniu em frente à B3. O projeto prevê a remoção de aproximadamente 600 famílias de casas e prédios localizados nas imediações da Praça Princesa Isabel.

Moradores criticam a falta de transparência no processo, já que até agora não sabem se a indenização que vão receber será suficiente para comprar um novo imóvel na região. "Nós já enfrentamos um problema muito antigo que é a questão da cracolândia. Devido à incompetência do próprio estado em gerir o problema do tráfico de drogas, os nossos imóveis passaram por uma desvalorização enorme", disse Silvio Monteiro de Lima, de 56 anos, morador dos Campos Elíseos há mais de duas décadas.

Como será o novo centro administrativo

O projeto arquitetônico foi escolhido por meio de concurso público nacional organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP). A proposta vencedora é do escritório Ópera Quatro Arquitetura, liderado por Pablo Chakur, que será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo.

A nova estrutura ocupará quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. O complexo terá capacidade para cerca de 22 mil servidores - atualmente distribuídos em mais de 40 endereços na capital - e contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços institucionais.

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Os prédios terão fachadas ativas - com comércio e serviços no térreo - e estacionamentos subterrâneos. Ao todo, serão 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços. O Palácio dos Campos Elíseos, construção centenária que já foi sede do governo no século passado, será restaurado com móveis originais da década de 1930 e servirá como sala de visitas do governo.

Impactos sociais e aprovação pública

Para viabilizar o projeto, cerca de 230 imóveis residenciais deverão ser desapropriados. A estimativa de gastos com desapropriações é de cerca de R$ 500 milhões. Parte da área é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), o que exige a previsão de habitação popular.

Uma pesquisa do Datafolha com 1.564 entrevistados aponta que 64% dos paulistanos consideram a mudança ótima ou boa. Entre moradores ou trabalhadores da região central, 83% acreditam que o projeto trará mais segurança. Também são esperadas melhorias na limpeza urbana (80%), na oferta de empregos (74%), no turismo (70%) e nas condições de moradia (55%).

Por outro lado, 47% dos entrevistados acreditam que o trânsito pode piorar. Também há divisão quanto à capacidade do estado de concluir a obra até 2030 e quanto aos impactos sobre a população vulnerável do entorno.

A estimativa do governo é que as obras gerem cerca de 38 mil empregos durante a fase de construção, prevista para terminar até 2030. Mesmo com a mudança, o governador manterá a residência oficial no Palácio dos Bandeirantes.