Câmara de BH sanciona lei que permite redução de jornada de assessores parlamentares
Lei em BH permite redução de jornada de assessores parlamentares

Reforma administrativa na Câmara de BH altera estrutura de gabinetes e jornada de trabalho

A Prefeitura de Belo Horizonte sancionou nesta quinta-feira, 9 de maio, uma lei de autoria da Mesa Diretora da Câmara Municipal que promove uma ampla reforma administrativa no Legislativo municipal. O texto, que entra em vigor no próximo dia 1º de maio, prevê mudanças significativas na estrutura dos cargos dos gabinetes e na jornada de trabalho dos assessores parlamentares, gerando debates sobre ética e impacto nos cofres públicos.

Redução da jornada de trabalho sem corte salarial proporcional

A mudança mais impactante para o funcionamento cotidiano do Legislativo é a autorização para que os vereadores reduzam a jornada de trabalho de seus assessores parlamentares. Antes fixada obrigatoriamente em 40 horas semanais, a carga horária agora pode ser baixada para 30 horas, bastando uma decisão por escrita do titular do gabinete. O texto não menciona redução proporcional nos salários, o que levanta questões sobre a moralidade administrativa.

O advogado especialista em Direito Eleitoral, Alberto Rollo, analisou a medida. "Do ponto de vista estritamente jurídico, não há impedimento direto previsto pela lei eleitoral para a redução de jornada. A eleição não é municipal. Mesmo que existam vereadores candidatos, estamos falando de servidores da câmara municipal", afirmou Rollo.

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Entretanto, o especialista fez ressalvas éticas importantes. "O que talvez possa ser é sob o âmbito da moralidade e da probidade administrativa, já que está se pagando o mesmo valor com o dinheiro público por menos serviço. Além disso, se a redução da jornada for para permitir fazer campanha, há também a possibilidade de improbidade, se comprovar que usaram uma nova lei para burlar a lei que não permite o uso de poder público para fins eleitorais", completou.

Reestruturação dos cargos nos gabinetes dos vereadores

A nova legislação também extinguiu os cargos que tinham funções e nomes fixos nos gabinetes, como os de Chefe de Gabinete Parlamentar, Atendente Parlamentar e Auxiliar Legislativo. Com isso, os vereadores deixam de ter a obrigação de preencher essas vagas específicas e passam a contar com um quadro único de até 18 assessores parlamentares por gabinete.

Na prática, o número total de funcionários por vereador permanece o mesmo, já que a regra anterior previa 15 assessores "livres" e 3 de cargos fixos. Agora, o parlamentar tem liberdade para definir a hierarquia e as funções de toda a sua equipe de 18 assessores, proporcionando maior flexibilidade na organização interna.

Alterações na estrutura da Presidência da Câmara

A estrutura da Presidência da Câmara também passou por modificações, com o número total de funcionários subindo de 27 para 29. Foi criado o cargo de Assessor da Presidência, com 4 vagas voltadas para o apoio estratégico e político ao presidente da Casa. Essas novas vagas substituem o antigo cargo de Atendente da Presidência, que foi extinto.

Justificativa legal e impacto financeiro

De acordo com o projeto que deu origem à lei, a reforma foi necessária para atender a uma ação judicial do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que questionava a legalidade de cargos como "atendente" e "auxiliar" por não possuírem funções de chefia ou assessoramento real.

Sobre o custo da mudança, a Câmara Municipal informou que não haverá aumento de despesas com os gabinetes dos vereadores. O dinheiro que era usado para pagar os salários dos cargos extintos foi transferido para o limite total de verba de cada gabinete, permitindo que o vereador distribua esses valores entre seus assessores conforme sua necessidade. As despesas serão pagas com recursos próprios do Legislativo.

A medida entra em vigor em um ano eleitoral, quando diversos vereadores devem se candidatar a outros cargos, o que amplia a discussão sobre o timing e as motivações por trás da reforma administrativa.

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