Justiça mantém suspensão do IPTU 2026 em Campo Grande para aumentos acima da inflação
Justiça suspende IPTU 2026 em Campo Grande para aumentos acima da inflação

Decisão judicial mantém suspensão do IPTU 2026 em Campo Grande para aumentos acima da inflação

O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, reafirmou nesta quarta-feira (11) a suspensão do pagamento do IPTU 2026 para contribuintes que tiveram aumento superior à inflação. A decisão complementa liminar já concedida em ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) e busca esclarecer dúvidas sobre o vencimento desta quinta-feira (12).

O que está realmente suspenso?

De acordo com a decisão judicial, está suspenso apenas o pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para imóveis que tiveram aumento acima de 5,32%, índice correspondente à inflação medida pelo IPCA-E. A medida vale tanto para imóveis prediais (casas e prédios) quanto para terrenos sempre que o reajuste ultrapassar esse percentual.

A Taxa do Lixo não é objeto da ação e continua sendo cobrada normalmente, conforme esclareceu o magistrado. O boleto enviado aos contribuintes reúne os dois tributos diferentes, portanto ao pagar o documento do IPTU 2026, o contribuinte paga ambos valores somados.

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Quem deve pagar e quem está isento?

Devem pagar normalmente até esta quinta-feira (12) os contribuintes cujo valor do imóvel em 2026 tenha sofrido apenas a correção pela inflação de 5,32% em relação a 2025. Como exemplo citado na decisão: se em 2025 o valor da avaliação era R$ 246.234,14 e em 2026 passou para R$ 259.333,00 (correspondente a 5,32% de reajuste), o pagamento deve ser realizado dentro do prazo.

Estão com o pagamento suspenso os contribuintes que tiveram aumento superior a 5,32% no valor da avaliação do imóvel. Para esses casos, a prefeitura terá 30 dias para recalcular o imposto e emitir novos boletos, com novo prazo de vencimento estabelecido.

Condições impostas à prefeitura

O município pediu autorização para não enviar novamente os carnês físicos, alegando alto custo e risco de prejuízo aos cofres públicos. O juiz autorizou a dispensa, mas impôs condições rigorosas:

  1. A prefeitura só pode cobrar até 12 de fevereiro os contribuintes cujo reajuste ficou dentro dos 5,32%.
  2. Deve garantir atendimento integral à população durante todo o dia 12 de fevereiro, inclusive ampliando horário presencial se necessário até 23h59.
  3. Deve disponibilizar no site oficial (iptu.campogrande.ms.gov.br) de forma clara e destacada:
    • O valor do IPTU 2025
    • O valor do IPTU 2026
    • O campo "Valor da Avaliação" para conferência do cálculo
  4. Deve divulgar amplamente a decisão em rádio, TV, redes sociais e demais canais oficiais.

Entenda a disputa judicial

A discussão começou após a OAB-MS ingressar com mandado de segurança contra o município. A entidade sustenta que o aumento real do IPTU foi feito por decreto da prefeita, após reenquadramento dos imóveis com base em imagens de satélite, sem envio de projeto de lei à Câmara Municipal. Segundo a OAB, houve aumento do valor venal sem notificação prévia individual aos proprietários.

Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que a prefeitura pode corrigir o imposto pela inflação por decreto, mas qualquer aumento acima da inflação exige aprovação de lei pelos vereadores. Na terça-feira (10), o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), desembargador Dorival Renato Pavan, já havia negado recurso do município e mantido a suspensão dos aumentos acima da inflação.

Esclarecimento sobre alcance da decisão

Mais cedo, a prefeitura divulgou nota afirmando que a suspensão valeria apenas para terrenos com aumento de alíquota. No entanto, juristas ouvidos pelo g1 afirmam que a decisão judicial abrange imóveis prediais e territoriais sempre que o reajuste ultrapassar 5,32%. Com a nova decisão desta quarta-feira (11), o juiz reafirma o alcance completo da liminar e tenta encerrar as dúvidas da população.

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Agora, o foco está no atendimento aos contribuintes nesta quinta-feira (12), data considerada decisiva para quem teve apenas a correção inflacionária aplicada no imposto. A situação permanece em acompanhamento judicial, com possibilidade de novos desdobramentos conforme a prefeitura recalcula os valores para os contribuintes afetados pela suspensão.