Câmara de Campo Limpo Paulista entra na Justiça para forçar sanção do orçamento municipal
Justiça acionada para sanção do orçamento em Campo Limpo Paulista

Câmara Municipal de Campo Limpo Paulista recorre à Justiça em disputa orçamentária

A Câmara Municipal de Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo, tomou uma medida drástica ao acionar o Poder Judiciário para resolver um impasse que envolve a sanção da Lei Orçamentária Anual (LOA). O Legislativo local busca uma decisão judicial que obrigue a prefeitura a sancionar a lei, essencial para a abertura do orçamento municipal deste ano. Segundo os vereadores, a falta dessa sanção pode comprometer seriamente o pagamento dos salários dos servidores públicos e dos contratos firmados com fornecedores, colocando em risco o funcionamento básico da administração municipal.

Origens do conflito e cronograma conturbado

O impasse teve início com o cronograma de tramitação da LOA, lei que organiza as receitas e despesas do município para o exercício financeiro anual. De acordo com a Câmara, o projeto deveria ter sido enviado pelo Executivo até o dia 30 de setembro do ano passado, conforme as normas legais. No entanto, o texto só foi protocolado em 18 de dezembro, gerando um atraso significativo no processo legislativo.

Devido a esse atraso, os vereadores não entraram em recesso parlamentar no final do ano e, em vez disso, realizaram uma audiência pública no dia 23 de dezembro para debater o conteúdo do projeto. Após discussões, o projeto foi aprovado em plenário no dia 20 de janeiro e, em seguida, encaminhado para a sanção do prefeito. Contudo, segundo a Câmara, o Executivo não sancionou a lei nem se manifestou oficialmente sobre o assunto, o que motivou a ação judicial como último recurso para desbloquear a situação.

Impactos práticos da falta de orçamento

Sem a abertura do orçamento, o Legislativo afirma que não tem autorização legal para realizar quaisquer pagamentos, o que pode afetar diretamente a folha de pagamento dos servidores e o cumprimento de obrigações financeiras com terceiros. Essa situação cria um cenário de incerteza e potencial instabilidade administrativa, com repercussões que podem se estender aos serviços públicos oferecidos à população.

Posicionamento da prefeitura em resposta

Em resposta ao conflito, a Prefeitura de Campo Limpo Paulista emitiu uma nota à imprensa, esclarecendo seu lado da história. A administração municipal informou que recebeu a versão final da LOA no dia 22 de janeiro, mas destacou que o texto continha "mudanças" em relação à proposta original enviada pelo Executivo. Diante disso, o prefeito pediu explicações à Câmara sobre essas alterações e afirmou que aguarda um retorno antes de prosseguir com a sanção.

Além disso, a prefeitura ressaltou que tem um prazo legal de 15 dias úteis para sancionar a lei, contados a partir do recebimento do projeto, e que, para "honrar os compromissos da cidade", pode utilizar mensalmente uma parte do orçamento previsto, conforme mecanismos de contingência. Por fim, em uma declaração que acirra ainda mais o debate, a prefeitura afirmou que a própria Câmara Municipal "tem dinheiro em caixa" para arcar com o pagamento de seus servidores, sugerindo que o problema financeiro imediato poderia ser resolvido internamente pelo Legislativo.

Este caso ilustra uma tensão comum entre os poderes Executivo e Legislativo em municípios brasileiros, onde divergências sobre orçamentos podem levar a medidas extremas, como ações judiciais, afetando a gestão pública e a confiança dos cidadãos.