GDF oferece imóveis públicos para cobrir rombo bilionário do BRB após crise com Banco Master
GDF usa imóveis públicos para cobrir rombo do BRB após crise

GDF propõe transferência de imóveis públicos para salvar BRB de crise financeira

O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para o dia 18 de março, onde será votado o aumento do capital social da instituição. Na prática, o banco estabeleceu um prazo de 22 dias para que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprove o projeto de lei que autoriza essa medida emergencial.

Nove imóveis públicos como garantia

Segundo o texto enviado pelo governo distrital, o aumento de capital virá da entrega de nove imóveis públicos do DF ao patrimônio do BRB. O banco terá três opções para utilizar esses ativos: incorporá-los ao próprio patrimônio, vendê-los ao setor privado ou usá-los como garantia para contratar um empréstimo que pode alcançar até R$ 6,6 bilhões.

O valor foi indicado pelo governo como necessário para recompor o patrimônio do BRB, severamente afetado após as transações malsucedidas envolvendo o Banco Master. Nesta quarta-feira (24), o governo apresentou uma versão revisada do projeto, que prevê nove lotes como garantia – substituindo a proposta inicial que incluía doze lotes.

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Assim como na versão anterior, o texto não especifica o valor de mercado desses imóveis, o que tem gerado questionamentos entre parlamentares e especialistas.

Plano preventivo sob sigilo

No início de fevereiro, o BRB entregou ao Banco Central um "plano preventivo" com medidas para recompor seu patrimônio e evitar o descumprimento das rigorosas regras de solidez do mercado financeiro brasileiro. Contudo, este documento permanece sob sigilo desde então, mantendo a necessidade exata de recomposição patrimonial envolta em mistério.

Quais imóveis serão transferidos?

A nova lista de imóveis públicos que o GDF pretende transferir ao BRB inclui:

  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb)
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote G
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote I
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote H
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB
  • SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap
  • Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década
  • "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – documento não especifica endereço preciso

Debate legislativo adiado

A Câmara do DF chegou a convocar uma reunião a portas fechadas para debater o primeiro projeto na tarde desta terça-feira. Com a chegada da nova versão, no entanto, o debate foi adiado para a próxima semana. A votação do texto ainda não tem data marcada.

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, deve se reunir com os deputados na manhã da próxima segunda-feira (2) para explicar detalhadamente a situação patrimonial do banco. À tarde, os parlamentares se reunirão novamente a portas fechadas para debater o tema e decidir se levam o projeto à votação em plenário.

Postura mais cautelosa

A expectativa inicial do governo era votar e aprovar o texto rapidamente, com amplo apoio de aliados – semelhante ao que ocorreu com o aval da Câmara do DF para a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB em 2025. Naquela ocasião, deputados de oposição reclamaram do tempo insuficiente para análise e afirmaram que o projeto chegou incompleto.

Desta vez, mesmo aliados do governador Ibaneis Rocha parecem ter decidido frear o andamento da matéria. A tendência é que a Casa adote uma postura mais cautelosa antes de deliberar sobre o projeto, que se tornou um verdadeiro "termômetro" da situação política de Ibaneis na Câmara Legislativa.

Entenda o mecanismo do empréstimo

O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano preventivo entregue ao Banco Central há duas semanas. Se concretizado, esses recursos ajudarão o banco a melhorar o perfil de seus ativos – reduzindo o risco atrelado a seu patrimônio.

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O objetivo central é garantir que o BRB permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado, preservando sua credibilidade institucional. Com a garantia do governo do DF, o banco teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao seu balanço patrimonial.

Em contrapartida, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, tanto o BRB quanto o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis públicos para pagar o compromisso assumido.

Posicionamento oficial do BRB

Em nota, o BRB informou que "os imóveis incluídos no Projeto de Lei encaminhado pelo Governo do Distrito Federal ainda serão submetidos a avaliação técnica independente, realizada por peritos habilitados e com metodologias reconhecidas no mercado".

O banco destacou ainda que "nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado e pode envolver ágio ou deságio conforme o interesse dos investidores". A instituição reforçou seu compromisso com "práticas de governança robustas, transparência na condução dos processos e a busca por soluções sustentáveis que assegurem a solidez do Banco e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal".