GDF oferece 12 imóveis públicos como garantia para empréstimo bilionário do BRB
GDF oferece imóveis como garantia para empréstimo do BRB

GDF propõe usar patrimônio público como garantia para socorro financeiro do BRB

O governo do Distrito Federal enviou à Câmara Legislativa um projeto de lei polêmico que autoriza a utilização de 12 imóveis públicos como garantia para um empréstimo bilionário destinado ao Banco de Brasília (BRB). A proposta, entregue no último sábado, inclui áreas verdes de parques, a sede da Novacap e o abandonado Centro Administrativo do DF, entre outros endereços de alto valor.

Debate adiado sinaliza resistência política

Contrariando a expectativa do governo, que pretendia votar e aprovar o texto ainda nesta terça-feira (24), o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), decidiu realizar apenas uma reunião de debate sobre a matéria. A postura mais cautelosa da Casa legislativa representa uma mudança significativa, já que o governador Ibaneis Rocha (MDB) nunca enfrentou dificuldades para aprovar projetos desde que assumiu o Palácio do Buriti, em 2019.

O projeto é visto como um termômetro político da situação de Ibaneis na Câmara, especialmente após a operação Compliance Zero e a liquidação do Banco Master no final de 2025. Até mesmo aliados do governador parecem ter decidido frear o andamento da matéria, exigindo análise mais aprofundada.

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Oposição intensifica cobranças por transparência

Durante as últimas sessões de 2025 e primeiras de 2026, deputados distritais da oposição cobraram explicações insistentes sobre a tentativa fracassada de compra do Banco Master pelo BRB. O líder do governo na Casa, deputado Hermeto, defendeu que a prioridade deveria ser salvar o BRB, argumentando que as garantias exigidas pelo Fundo Garantidor de Crédito não retiram os imóveis do patrimônio do GDF.

Segundo Hermeto, caberia aos deputados analisar o projeto com profundidade para evitar que o banco seja entregue de graça ao governo federal. A oposição, no entanto, mantém pressão por maior transparência nos processos.

Detalhes dos imóveis oferecidos como garantia

Entre os 12 imóveis listados no projeto de lei, destacam-se:

  • Setor de Áreas Isoladas Norte (SAI/norte): área destinada à Polícia Militar próxima ao Santuário Sangrado dos Pajés, terra ancestral indígena
  • Centro Administrativo do DF (Centrad): local desocupado há 12 anos em Taguatinga, que exigiria R$ 1 bilhão em investimentos para funcionar
  • Parque do Guará, áreas 29 e 30: espaço natural com vegetação, indicado como Proteção Integral/Conector Ambiental no PDOT
  • Sede da Novacap: no Setor de Indústria e Abastecimento Sul do Guará
  • Área verde no Lago Sul: próxima à Ponte JK, em região nobre do DF

Dois endereços não foram localizados pelo GeoPortal da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, levantando questões sobre a precisão da documentação apresentada.

Objetivo do empréstimo e riscos envolvidos

O empréstimo, que pode ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, integra o plano preventivo entregue pelo BRB ao Banco Central há duas semanas. Os recursos visam melhorar o perfil de ativos do banco, reduzir riscos patrimoniais e garantir sua solidez no mercado.

Com a garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos com juros mais baixos e condições mais favoráveis. No entanto, caso não consiga honrar o compromisso no futuro, o banco e o governo podem ser obrigados a alienar (vender) esses imóveis para quitar a dívida.

Posicionamento do BRB e próximos passos

Em nota oficial, o BRB esclareceu que os imóveis ainda passarão por avaliação técnica independente e que não é possível estimar seu valor total neste momento. O banco ressaltou que sua capitalização não ocorre por transferência direta dos imóveis, mas por estruturas financeiras em análise no Banco Central.

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O presidente da CLDF indicou que a matéria deve ser apreciada apenas a partir da próxima semana, passando pelas Comissões de Economia, Orçamento e Finanças, de Assuntos Sociais e de Constituição e Justiça. O governador Ibaneis Rocha afirmou à TV Globo que o critério para escolha dos terrenos foi o apetite no mercado, mas a Secretaria de Economia e o BRB não se manifestaram sobre detalhes do projeto até o fechamento desta reportagem.

O desfecho desta proposta marcará um momento crucial nas relações entre o Executivo e o Legislativo do Distrito Federal, testando a capacidade de articulação política do governador em um cenário de crescente questionamento sobre operações financeiras envolvendo instituições públicas.